
POR FRANCISCO BRAUN
Dentro de realidades de altíssimas complexidades, nas quais conteúdos e superficialidades se transmutam continuamente, sempre há verdades que emergem com nitidez.
Uma delas no cenário mundial é a competência da diplomacia brasileira.
Liderada por Lula, com a tradição e excelência do Itamaraty nos bastidores e com o Celso Amorim ao lado, o governo se empenhou em consolidar três ações políticas.
A primeira foi o fortalecimento do multilateralismo, que vem a se constituir na única resposta capaz de iniciar o enfrentamento à destruição da ordem mundial executada pelo crime organizado chefiado por Trump.
A segunda, e estrutura logística e complementar do multilateralismo, foi a ampliação de novos mercados para o comércio exterior, desempenhado com extrema eficiência pelo Geraldo Alckmin, se antecipando como alternativa às taxações nazi-trumpistas e garantindo estabilidade de importantes segmentos do mercado de trabalho brasileiro.
A terceira foi o exemplar exercício da presidência rotativa de organismos internacionais responsáveis pela realização de importantes eventos no Rio de Janeiro e Belém, finalizados com declarações primorosas, valorizando o patrimônio jurídico internacional da ONU.
Entretanto, a condição humana que submete cada habitante do planeta sem uma única exceção à possibilidade de erro, alcançou a diplomacia brasileira duas vezes no atual governo Lula.
O primeiro erro do Itamaraty ocorreu quando Trump sancionou ministros do STF com a lei Magnitsky. O Poder Judiciário deveria ter recebido imediato apoio para providenciar encontro a ser realizado em Brasília das altas cortes dos países da América do Sul, com a finalidade de debater a nova realidade continental.
O segundo erro é recente e ainda em tempo de ser revertido: foi quando Trump convidou Lula para integrar uma empresa transnacional com o objetivo de transformar a população de Gaza em funcionários.
Mas na condição de convidado e credenciado do governo dos EUA, Lula tinha que ter acertado viagem urgentíssima à Gaza para avaliar as condições de vida dos habitantes, e decidir posteriormente se integraria ou não a versão atualizada das “Companhia das Índias”.
O governo formaria uma comitiva com o ministro Mauro Vieira, com o assessor especial Celso Amorim, com o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, Ualid Rabah, e o parlamentar petista que tem a biografia mais semelhante à de Lula, o Renato Freitas.
Juntos com Lula circulariam por Gaza, conversariam com a população e suas lideranças, visitariam os hospitais, testemunhariam o bloqueio de ajuda humanitária e ouviriam opiniões sobre a proposta.
Lula ao classificar como genocídio as ocorrências recentes, legitimou sua condição de estadista para ser recebido pelo povo palestino com a dignidade e o afeto que merece.
E ali estará se consagrando para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2026.