
O Centrão admite votar pelo fim da escala 6×1, mas trabalha para manter a jornada semanal em 44 horas, contrariando a proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reduzir o limite para 40 horas, conforme informações da colunista Thais Bilenky, do UOL.
A avaliação é que, apesar do apelo popular da medida, o consenso no Congresso passa apenas pelo encerramento do modelo atual de seis dias de trabalho para um de descanso, deixando a carga horária como principal ponto de disputa.
Prioridade do governo Lula, o fim da escala 6×1 é dado como encaminhado entre partidos do Centrão. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que pretende acelerar o debate “com equilíbrio e responsabilidade”, ouvindo trabalhadores e empregadores.
Em ano eleitoral, parlamentares avaliam que será difícil se posicionar contra uma proposta com forte respaldo popular.
Jornada semanal é o principal impasse
O maior entrave está na definição da carga horária em uma eventual escala 5×2. Enquanto o governo defende a redução para 40 horas semanais, setores do Centrão querem manter o teto atual de 44 horas.
“Vai votar, é consensual acabar com a 6×1. Agora vamos discutir se serão 44 horas em cinco dias ou 40 horas”, afirmou o deputado Claudio Cajado (PP-BA). Segundo ele, há divisão interna e preocupação com o aumento do chamado custo-Brasil.
Entidades empresariais já se articulam para frear a votação ou direcioná-la a um formato mais favorável aos empregadores. Uma alternativa em discussão é negociar jornadas distintas por categoria, ideia que encontra simpatia no setor produtivo.
Já o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) afirmou que “o tema está maduro na sociedade” e que a oposição no Congresso deve se restringir à extrema direita. Para ele, quem se opuser à mudança “terá que prestar contas nas urnas”, criticando ainda os argumentos empresariais contrários à redução da jornada.
