
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, manteve uma conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta sexta-feira (27), na reunião de chanceleres do G7, realizada na França. O encontro aconteceu na Abbaye des Vaux-de-Cernay, onde os líderes do grupo se reuniram entre quarta-feira e quinta-feira (26).
Durante o evento, ambos aproveitaram a oportunidade para discutir temas relevantes para as relações bilaterais, como questões comerciais e a cooperação no combate ao crime organizado transnacional. O diálogo entre os dois líderes foi registrado em uma fotografia oficial do encontro, que foi compartilhada nas redes sociais pelo Itamaraty.
A pasta informou que o ministro brasileiro e o secretário de Estado dos EUA conversaram antes e depois da sessão matinal do segundo dia do evento. A imagem capturada mostrou os dois representantes lado a lado, embora o Departamento de Estado dos EUA não tenha divulgado detalhes sobre a conversa.
O governo brasileiro relatou que os principais temas abordados foram a ampliação da cooperação bilateral no combate ao crime organizado e as questões comerciais entre os dois países.
No entanto, fontes diplomáticas indicam que não houve menção de facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) ou o CV (Comando Vermelho), temas que haviam sido discutidos anteriormente em telefonemas entre Vieira e Rubio.
Marco Rubio e Mauro Vieira hoje durante a reunião de ministros no G7 pic.twitter.com/oLFQKDfCem
— Sam Pancher (@SamPancher) March 27, 2026
A diplomacia brasileira vê a classificação dessas facções como terroristas uma agenda impulsionada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, e não um ponto central na diplomacia de Lula.
No início deste mês, o governo brasileiro havia alertado sobre o risco de os EUA designarem o PCC e o CV como organizações terroristas, uma medida que não foi oficializada pelas autoridades americanas durante o governo Trump.
Vieira expressou sua oposição a essa classificação em um telefonema com Rubio no dia 8 de março. A decisão unilateral dos EUA poderia resultar em sanções econômicas e justificar uma intervenção militar no Brasil, algo que a diplomacia brasileira quer evitar.
Além disso, os dois líderes também discutiram a possibilidade de uma visita do presidente Lula a Washington, embora não tenha sido estipulada uma data específica para essa viagem. A agenda de Washington está voltada para o Oriente Médio no momento, o que pode dificultar a definição de uma data para a visita, como relataram fontes diplomáticas.
Em paralelo, o Brasil e os EUA também enfrentam divergências em relação à investigação comercial iniciada pelos EUA, acusando o Brasil de práticas de “trabalho forçado” em sua cadeia produtiva, especialmente em relação à importação de produtos provenientes de terceiros países.
Embora o Itamaraty não tenha revelado detalhes da conversa sobre essa questão, é certo que esse tema está gerando tensões diplomáticas. Após o evento do G7, Vieira seguiu para Iaundê, em Camarões, onde liderará a delegação brasileira na 14ª Conferência Ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio), que começa amanhã.
A presença do Brasil neste evento destaca a contínua busca por fortalecer suas parcerias comerciais e diplomáticas, especialmente em um contexto global em que as relações internacionais estão sendo cada vez mais definidas por questões comerciais e segurança.
Além da reunião com Rubio, Vieira também manteve conversas com outros líderes internacionais, incluindo o chanceler iraniano Abbas Araghchi, com quem discutiu os impactos da guerra no Oriente Médio e a situação regional.