A coragem de craques chilenos e argentinos ajuda a explicar nossa apatia pela seleção. Por Moisés Mendes

Paredes defendeu a seleção chilena e hoje joga no Colo-Colo (Imagem: divulgação)

Esteban Efraín Paredes Quintanilla. É o nome desse moço. Quem gosta de futebol o conhece. Paredes foi jogador da seleção chilena e atua hoje no Colo-Colo.

O atacante lidera os atletas do time no apoio declarado, público, explícito, às manifestações que ocorrem há uma semana no Chile.

Os jogadores do Colo-Colo estão politicamente engajados aos protestos. Além deles, também jogadores da Católica e da La U, os outros dois grandes clubes chilenos, fizeram apelos ao governo, para que Piñera ofereça respostas concretas aos apelos do povo nas ruas.

Mas foi o Colo-Colo, sob o comando de Paredes, que disse aos chilenos que estavam com eles. Esse é o compromisso: os jogadores não irão apenas expressar apoio, mas sairão às ruas com os manifestantes.

A militância dos jogadores do mais popular time do Chile é contada hoje pelo jornal La Cuarta, que publicou essa bela foto de Paredes.

É como se todo o time do Flamengo decidisse apoiar manifestações de rua no Brasil, para denunciar o empobrecimento da população, a perda de direitos e o crescimento do fascismo.

Na Argentina, o goleiro Nahuel Guzmán, El Patón, que também atuou na seleção do seu país, lidera uma lista de 600 jogadores que assinaram um manifesto de apoio à Frente de Todos, de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, nas eleições de domingo.

É emocionante que figuras públicas, que poderiam se manter “neutras”, para agradar suas torcidas e a direita, assumam engajamento às lutas populares.

Mas é também constrangedor para os brasileiros que os jogadores daqui, quando se manifestam, só expressam apoio, com uma certa empáfia, ao reacionarismo e ao bolsonarismo.

As posições dos atletas de Argentina e Chile ajudam a entender a apatia geral que nos imobiliza e o acovardamento de figuras que poderiam fazer aqui o que outros atletas famosos fazem em seus países.