A CPI começa copiando o gesto dos negacionistas. Por Moisés Mendes

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Luiz Henrique Mandetta não poderia ter apertado as mãos do presidente e do relator da CPI do Genocídio agora pela manhã, ao chegar ao Senado para o depor.

Se os senadores tentassem impor o cumprimento, Mandetta deveria se retirar da CPI em protesto, em nome da ciência e da sensatez.

E Omar Aziz e Renan Calheiros não poderiam ter aceito o cumprimento de Mandetta, que se dirigiu aos dois como o visitante que chegava.

Mas aceitaram e retribuíram não um simples aperto de mão, mas um aperto assertivo, um aperto de mão forte, bem balançado, de coronéis da política.

Os três começaram mal os trabalhos da CPI. Muito mal. O aperto de mão é um símbolo do negacionismo. É a expressão das ações desatinadas de Bolsonaro e dos cúmplices da sabotagem às restrições, ao isolamento, à vacina e às providências de Estados e municípios.

Mandetta saiu do governo por discordar das atitudes e das falas de Bolsonaro. E duas das atitudes mais reprováveis ainda são o não uso de máscara e a insistência em apertar a mão de quem se aproxima dele.

A CPI do Genocídio deveria ter começado com um gesto simbólico que se afirmasse como contraponto aos gestos criminosos dos líderes do genocídio.

A CPI pretende ser uma luz a iluminar as escuridões dos porões do governo na pandemia. Tem a ambição de falar em nome da racionalidade, da verdade científica e principalmente do bom senso.

E o primeiro gesto, na abertura dos depoimentos, é o que reafirma o negacionismo.

Começamos mal. Os três personagens deveriam pedir desculpas e começar tudo de novo.

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