A CPI em que todo mundo tentaria esconder o rabo. Por Moisés Mendes

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 8:35
Contrato assinado por Vorcaro previa que dinheiro para compra de rede de restaurantes deveria ser aplicado no Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

A CPI do Banco Master não vai sair porque Daniel Vorcaro é o Jeffrey Epstein da promiscuidade financeira no Brasil. Vorcaro prendeu o rabo de todo mundo. Quem se diz a favor da CPI sabe que pode anunciar sua posição e publicar declarações bombásticas nas redes sociais só para jogar para a torcida.

Porque essa CPI, mais do que qualquer uma das anteriores, iria gabaritar todos os partidos, todas as instituições, em todas as instâncias de poder. Por isso, não sai.

Uma CPI do Master teria mais facilidade para informar não sobre quem se envolveu, mas sobre quem não teve envolvimento com o homem que formava redes de proteção para o que poderia vir — e veio — mais adiante. Por isso, Hugo Motta colocou o pedido de instalação da CPI na fila, talvez para nunca mais sair dali.

A CPI poderia revelar o que ainda está encoberto, como lavagem de dinheiro — tema abordado esses dias por Lula — em outros setores da economia. E dificilmente faria vir à tona quem se enrascou e perdeu muita grana nas pirâmides de Daniel Vorcaro.

Uma CPI iria mexer em coisas em putrefação. Hugo Motta é um atrevido quando o atrevimento é possível. E hoje informaram que a Polícia Federal abriu o celular do banqueiro.

Fachada do Banco Master. Foto: Reprodução
Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/