A CPI precisa retomar linha do genocídio. Por Gilberto Maringoni

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Por Gilberto Maringoni

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL) Foto: Leopoldo Silva / Leopoldo Silva/Agência Senado

A CPI do Covid parece ter perdido o foco. E isso aparenta ter acontecido a partir do momento em que o Centrão Armado (antigo Exército Brasileiro) resolveu aceitar a indisciplina de Eduardo Pazuello como se fosse algo corriqueiro. O bando se assumiu plenamente como partido fardado e seu compromisso com o governo se aprofundou, tornando-se quase institucional.

Desde então, os senadores passaram a mirar o tal gabinete paralelo, como centro irradiador do negacionismo oficial.

Não entendo.

Todos os presidentes da República sempre tiveram conselheiros informais em variadas áreas. Lula, por exemplo, costumava chamar a Brasília vários economistas para trocar ideias sobre a condução da área. O mais notório era Delfim Netto. Qual o problema?

O problema aqui é que a condução da hecatombe sanitária obedecia uma cadeia de comando, a partir do ministério da Saúde, que vai de Mayra Pinheiro, Hélcio Franco, passava por Pazuello e chegava a Bolsonaro. No entorno, há as áreas que deveriam acompanhar a Saúde, como comunicação (Wajngarten). O foco que me parece adequado tem o presidente da República como alvo.

Tudo isso foi feito no primeiro momento, com coragem e competência por parte dos parlamentares, mas a diretriz atual não é essa.

Evidentemente, os trabalhos ainda estão em currso, e Renan Calheiros já listou os investigados. Tomara que a CPI retome a linha do genocídio, pois ouvir cloroquinistas e gente do naipe de Osmar Terra não parece render muitos frutos.