A decadência do Fantástico é mais um sinal do fim da TV aberta como a conhecemos

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A crise em que está metido o Fantástico, que bate recorde atrás de recorde negativo no Ibope, não é só culpa do Fantástico. É mais um sinal do fim da TV aberta como a conhecemos.

Não dá para culpar a concorrência. Mordendo seus calcanhares, o Domingo Espetacular, na Record, é uma cópia do “show da vida” pré-diluviana, circa 1985. Silvio Santos é Silvio Santos, o profeta do lixo disfarçado de camelô gente fina.

Um faz 14 pontos, o outro 12, outro 11, um ultrapassa o outro para disputar uma audiência que, semana a semana, mingua. Nada repercute, nada sobrevive à segunda-feira e a perspectiva é tenebrosa.

Ainda que se contratassem gênios, pouco mudaria o panorama. A última pesquisa de mídia da Secom é didática. Foram entrevistadas 18 312 pessoas em 848 municípios entre outubro e novembro do ano passado.

Além do crescimento da Internet, o público da televisão envelhece rapidamente. Quanto mais jovens e quanto maior a escolaridade, menos TV. Dos que assistem, 43% não se identificam com o que vêem e 25% acham que são retratados negativamente. Com quem eles acham que estão falando?

De acordo com um levantamento da Fundação Perseu Abramo, há uma percepção de que as mulheres são quase sempre (19%) ou às vezes (47%) tratadas com desrespeito, assim como os nordestinos — às vezes (44%) ou quase sempre (19%) — e a população negra (49% e 17%).

Não é só aqui, evidentemente. Nos EUA, o instituto Pew Research deu que a média de audiência dos telejornais americanos caiu de 68% em 1991 para 55% em 2012. A busca de vídeos na web cresceu de 24% , em 2002, para 39% em 2012.

Havia uma esperança, que se revelou vã, de que as mídias pudessem coexistir. A Globo fez parcerias com Twitter e Facebook. Um aplicativo para mobile foi criado para o reality show SuperStar. Travou durante as apresentações.

Não há convivência possível. A palavra é disrupção. A falta de concorrência ajuda a explicar por que a queda não é ainda mais dramática. Um produto tão capenga, há tanto tempo, como o Fantástico, não melhora e não vai melhorar até bater no iceberg da Internet e da obsolescência e afundar.

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