
O filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a enfrentar preocupação entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da possibilidade de questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A produção voltou a ganhar repercussão após a divulgação de diálogos envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento para o longa.
Segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, o temor nos bastidores da campanha bolsonarista está relacionado a um precedente do próprio TSE nas eleições de 2022. Na ocasião, a Corte suspendeu a exibição do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela empresa Brasil Paralelo e previsto para ser lançado às vésperas do segundo turno presidencial.
Naquele julgamento, o tribunal acolheu um pedido da coligação de Lula, então candidato, e decidiu impedir temporariamente a divulgação do conteúdo. O entendimento do TSE foi de que o documentário poderia ampliar eleitoralmente um tema explorado durante a campanha de Bolsonaro à reeleição.
Em seu voto,o ministro Benedito Gonçalves apontou que a produção poderia impulsionar um assunto “reiteradamente explorado pelo candidato em sua campanha”, por meio de uma estratégia de publicidade financiada com recursos empresariais. O documentário só acabou sendo exibido após o encerramento do processo eleitoral.

Agora, aliados de Flávio avaliam que o precedente poderá ser usado para tentar barrar “Dark Horse”, previsto para estrear em setembro, cerca de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Integrantes do entorno do senador discutem o risco de o filme ser interpretado como instrumento de propaganda eleitoral.
Uma fonte ligada às discussões internas afirmou que existe preocupação jurídica sobre o momento do lançamento. Segundo esse interlocutor, a estreia durante o período eleitoral poderia motivar questionamentos no TSE e exigir cautela da campanha bolsonarista.
Outro aliado ouvido reservadamente defendeu antecipar a estreia como forma de tentar encerrar rapidamente a repercussão dos áudios envolvendo Vorcaro.
Os bastidores e a pós-produção de “Dark Horse” seguem cercados de sigilo, mas imagens vazadas das gravações mostram a encenação do atentado à faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), em 2018.