A demissão correta da assessora de Anielle que ofendeu paulistas e são-paulinos

Atualizado em 26 de setembro de 2023 às 17:57
A ex-assessora do Ministério da Igualdade Racial Marcelle Decothé. Reprodução

O Ministério da Igualdade Racial anunciou na tarde de terça-feira (26) a demissão de Marcelle Decothé, funcionária que proferiu ofensas contra são-paulinos e paulistas durante a final da Copa do Brasil. A exoneração foi informada através do perfil da pasta no X (antigo Twitter).

Marcelle Decothé, que ocupava o cargo de chefe da assessoria da ministra Anielle Franco, fez postagens críticas à torcida do São Paulo, à diretoria do Flamengo e à Polícia Federal no último domingo (24) no estádio do Morumbi, durante a final da Copa do Brasil.

Decothé estava acompanhando a ministra, que estava presente para lançar uma ação contra o racismo durante a partida. Ambas viajaram em um avião da FAB, alegando se tratar de um evento oficial.

As postagens de Decothé foram feitas em seu perfil pessoal em uma rede social. Como torcedora do Flamengo, a assessora de Anielle criticou a torcida do São Paulo usando termos ofensivos, descrevendo-a como “torcida branca, que não canta, descendente de europeu safado…”. No mesmo post, ela complementou: “e ainda por cima, são-paulinos são os piores de tudo.”

Postagens preconceituosas da assessora do Ministério dos Direitos Humanos, Marcelle Decothé. Reprodução
Stories do Instagram de Marcelle Decothe. Reprodução

O “esquerdoclubismo” e o preconceito recreativo

As postagens preconceituosas da agora  ex-assessora do Ministério da Igualdade Racial contra os paulistas e a torcida do São Paulo Futebol Clube evidenciam um subproduto bastante indesejado, e ainda assim muito comum, dentro da militância virtual progressista: o esquerdoclubismo.

Por “esquerdoclubismo”, entende-se a postura de acreditar que apenas a ala progressista do time que você torce é a correta, a justa, a mais alinhada com a pureza ideológica que a luta de classes supostamente requer. De acordo com essa perspectiva, só o seu time é “o do povo” e representa a esquerda no mercado multimilionário do futebol.

Essa chaga faz com que a história de uma agremiação formada por imigrantes e operários, como o Palmeiras, seja sistematicamente chamado de “Lázio da Barra Funda” pelos rivais, em alusão ao time do fascista Benito Mussolini, apenas por causa das origens italianas de ambos.

Da mesma forma, ela faz com que vascaínos sejam associados ao colonizador português, apesar de toda a sua história contra o racismo. É como se a defesa do seu time justificasse toda sorte de preconceitos.

Palmeirenses e corinthianos progressistas juntos pedindo a soltura de Lula em 2018. Reprodução

Além disso, observa-se isso também contra profissionais estrangeiros, como é o caso de Abel Ferreira, o técnico vencedor do Palmeiras, que é visto por muitos como um “colonizador” apenas por não estar defendendo seus times de coração.

A paixão cega de Marcelle Decothé pelo Flamengo a fez seguir por esse caminho, no qual tudo é válido: desde o preconceito recreativo contra São Paulo e os paulistas até a confusão entre a elitizada origem do tricolor paulista e a realidade de sua torcida hoje, que é popular, miscigenada e, por razões econômicas, a que mais frequenta o estádio do seu time.

Amar um time e incluir esse fator na militância podem ter efeitos fantásticos, como ocorreu quando os setores antifascistas das torcidas foram às ruas em plena pandemia para pedir “Fora Bolsonaro” ou quando as uniformizadas desfizeram “na mão” os bloqueios dos “patriotas” nas estradas, mas, por outro lado, quando o sentimento é mal gerido, pode se tornar o mais nocivo dos identitarismos.

 

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