A direita argentina jogou Macri à própria sorte. Por Moisés Mendes

Publicado no blog do Moisés Mendes

O presidente da Argentina, Mauricio Macri (Arquivo/Agência Brasil)

POR MOISÉS MENDES

Os comentaristas de política e economia do La Nación e do Clarín, dois jornais que sustentam a direita argentina e que sempre venderam Macri como o exemplo de liberal latino-americano, entregaram os pontos.

Li muitos deles ontem e hoje. Assim como a grande imprensa abandonou Bolsonaro aqui, os jornais argentinos estão largando Macri. Não há salvação.

Clarín e La Nación destacaram hoje em suas manchetes entrevistas exclusivas de Alberto Fernández, o candidato do peronismo kirchnerista (que também deu entrevista ao Página12, de esquerda). Isso seria impensável até bem pouco tempo.

A diferença é que os jornais e os Mervais Pereiras deles conseguiram sustentar Macri até agora. Largam o sujeito na sarjeta a dois meses da eleição, depois da derrota avassaladora para Fernández e Cristina nas prévias de domingo.

O tom geral dos comentaristas é o de que, entre tentar salvar a economia e fazer campanha para uma reeleição improvável, Macri não consegue fazer nem uma coisa nem outra.

O amigo de Bolsonaro foi o engodo que as esquerdas esperaram, por muito tempo, para mostrar que o melhor exemplar de reacionário bem-nascido não funcionou. Macri é a farsa que desmascara a direita bonitinha.

Mas não pensem que Bolsonaro é um Macri por também tentar fazer um discurso pretensamente liberal. Bolsonaro não é liberal. É um entreguista, mais entreguista do que Macri. E muito mais repulsivo sob o ponto de vista moral.

Macri é representante de uma família mafiosa e chegou ao poder já como milionário cercado de corruptos por todos os lados. É a expressão do coronelismo argentino decadente e sem o lastro dos militares.

Outra diferença fundamental é esta: os militares argentinos estão fora do jogo político. Os que poderiam tentar participar, anos atrás, se a Argentina fosse um país de impunidades como o Brasil, foram julgados e encarcerados.

Não há nada como Bolsonaro, nem na Argentina. Não há nenhuma outra aberração semelhante ao bolsonarismo.

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