A direita enlouquece: a Jararaca está viva, indo para o ataque, fazendo gol e sem pinta de que vai parar. Por Donato

Lula no ataque

A tantos minutos de jogo, um pênalti é marcado. O ex-presidente Lula coloca a bola na marca de cal, bate e a goleira (era uma goleira) defende. Mas de modo irregular, segundo a arbitragem.

Na segunda tentativa, Lula encaçapa. Em seguida corre para a lateral do campo, tira a camisa e joga-a para a torcida. Foi expulso. O juíz não era Sérgio Moro. Era Juca Kfouri que, apesar de ter dado uma ajuda no apito, não perdoou a indisciplina.

O jogo de confraternização foi na inauguração do campo da escola Florestan Fernandes, do Movimento dos Sem Terra, em Guararema.

O local recebeu o nome de Sócrates Brasileiro em homenagem ao jogador corintiano, ativista de mão cheia (e punho cerrado erguido) que tantos palanques dividiu com Lula na campanha pelas Diretas.

Além de Lula estavam políticos, esportistas e personalidades. Chico Buarque, Mano Brown, o ex-atacante Reinaldo, Lindbergh Farias, Suplicy, Fernando Haddad, Frei Betto. Muitos.

Muitos inclusive bem mais novos que Lula e com menos disposição.

Às vésperas de um julgamento em que é praticamente certo que será condenado e que terá sua candidatura comprometida, o ex-presidente vem esbanjando bom humor.

Voltaram as piadas, o rosto menos magro, o carisma. A barriga não diminui.

Gisele Morais, 40 anos, estava com uma foto tirada com Lula quando ela tinha 15 anos. Veio do interior do Estado ao evento apenas para tentar refazer uma versão atualizada da imagem. Não conseguiu. Foi, contudo, uma mostra de como Lula toca as pessoas.

Janaína Paschoal vai se revirar do avesso, mas a serpente está viva e batendo um bolão. E com bom humor e fôlego para correr num campo de futebol debaixo de um sol escaldante de mais de 30 graus.