
A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, após sua derrota para o presidente Lula (PT), aumentou a disputa entre grupos bolsonaristas sobre o futuro do político e a condução da oposição. Aliados de Eduardo Bolsonaro apoiaram a saída diante do temor de uma eventual prisão, enquanto integrantes da campanha defendiam que ele permanecesse no Brasil. A informação é do jornal O Globo.
O grupo mais pragmático também queria que o senador reconhecesse o resultado eleitoral e assumisse a liderança da direita. A permanência nos Estados Unidos, porém, gerou dúvidas no PL sobre sua capacidade de comandar a oposição à distância, sobretudo diante da perspectiva de ficar sem mandato no próximo ano.
O embate ganhou publicidade nesta quarta (28), quando Paulo Figueiredo atacou pessoas do entorno de Flávio em seu podcast. Sem citar nomes, ele insinuou que antigos aliados poderiam se beneficiar politicamente de uma eventual prisão do senador.
Durante a campanha, pessoas próximas a Flávio aconselharam que ele mantivesse distância de Eduardo e de Figueiredo, ambos radicados nos Estados Unidos. A avaliação era que as posições dos dois afastariam eleitores fora da base bolsonarista, considerados decisivos para uma vitória contra Lula.

Carta e reconhecimento do resultado aumentaram tensão entre aliados
A campanha tentou apresentar o senador como um político mais aberto ao diálogo, na estratégia chamada de “Flávio vacinado”, associada à ideia de que ele teria aprendido com os erros do ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a derrota, Flávio se reaproximou publicamente do grupo que aliados tentavam manter distante.
O primeiro atrito ocorreu após a eleição, quando Flávio anunciou que questionaria a votação. Integrantes da campanha o pressionaram a reconhecer a vitória de Lula e a evitar novos confrontos com a Justiça Eleitoral; ele recuou da intenção de pedir a anulação do pleito, mas manteve a possibilidade de buscar a cassação da chapa petista.
Uma carta assinada por Flávio e compartilhada inicialmente por Figueiredo nas redes sociais ampliou a crise. No documento, o senador adotou tom golpista e chegou a se autodeclarar presidente do Brasil; a formulação mudou após a repercussão negativa, e integrantes da campanha questionaram a autoria do texto por considerarem que a linguagem destoava da postura recente do político.
No podcast transmitido em sua página no X, Figueiredo disse que críticos de sua atuação e da de Eduardo Bolsonaro eram os mesmos que desejavam um “Flávio preso”. Dentro do PL, uma ala avalia que a permanência no exterior dificultará a articulação com as bancadas da Câmara e do Senado, embora outros aliados sustentem que ele preservará influência pela ligação com Jair Bolsonaro e pela projeção eleitoral.