A diversidade dos X-Men mostra que Stan Lee não era para bolsomions. Por Zambarda

X-Men, uma das criações de Stan Lee. Foto: Divulgação

O quadrinista Stan Lee morreu aos 95 anos no dia 12 de novembro por complicações de saúde em Los Angeles – ele já tinha sofrido com uma pneumonia recentemente. “Excelsior”, uma expressão que Lee utilizava com frequência para causar impacto, inundou as redes sociais e seu nome chegou aos Trending Topics do Twitter.

Muitos fãs da Editora Marvel de quadrinhos lembraram as criações e co-criações de Stan Lee, que começou de baixo na empresa até se tornar o seu principal executivo. Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Vingadores, Hulk e X-Men foram muito lembrados pelos fãs.

Nascido Stanley Martin Lieber em Nova York, em 28 de dezembro de 1922, ele surgiu na chamada “Era do Ouro” das revistas (1938-50) e se consolidou na “Era de Prata” (entre 1956 e 1970).

Lee subiu na Marvel até se tornar publisher após uma crise econômica e de criatividade que fechou inúmeros quadrinhos depois do boom dos super-heróis após a Segunda Guerra Mundial. Pegou o espírito da contracultura e do rock que embalou o mundo a partir de 1960.

Stan Lee da Marvel. Foto: Divulgação/Twitter

De acordo com o livro “Marvel Comics – A História Secreta” (2012), uma das criações que teve o toque de Stan Lee com caráter mais progressista, fora do patriotismo e do conservadorismo norte-americano, é a equipe dos X-Men.

No YouTube, Stan Lee resume as origens dos mutantes que obedecem o Professor X. E disse: “estou em dúvida se conto para vocês a verdade ou uma história interessante. Bom, vamos lá. Eu já tinha criado o Quarteto Fantástico, fiz o Homem-Aranha e criei o Hulk. Estava procurando o que fazer e o quarteto tinha sido um sucesso. Decidi então criar outro grupo de super-heróis”.

Lee então explica o processo: “Uma das coisas mais trabalhosas é explicar de onde vem o poder dos heróis. Quantas pessoas podem ser picadas por aranhas radiativas, raios gama ou raios cósmicos? Então eu tomei o caminho mais covarde e pensei ‘se disser que todos meus heróis são mutantes, que eles nasceram dessa forma, não precisarei explicar nada de qualquer forma. Tive a sorte de ter um gênio como Jack Kirby para desenhá-los e ainda recebo os créditos por isso”.

O fato é que, além de toda a equipe da Marvel que o ajudou, sua esposa Joan Lee o inspirou a criar o Quarteto em 61. A partir de 1963, inspirado por Martin Luther King e Malcoln X, Stan Lee deu início aos quadrinhos dos X-Men e aos mutantes que passaram a fundamentar todos os heróis do chamado “Universo Marvel”.

Diferente da DC Comics, sua concorrente principal que fez sucesso na Segunda Guerra, a Marvel criou personagens que partiam do cotidiano e não eram deuses ou semi-deuses, como é o caso do Super-Homem e da Mulher Maravilha (Batman é a exceção mais conhecida da concorrente). Homem-Aranha era um menino nerd, fotógrafo, que por acaso ganhava super-poderes e tinha que arcar com a responsabilidade das suas escolhas.

O Hulk era um cientista que se tornava uma criatura verde e gigante, numa releitura da obra literária “O Médico e o Monstro”. O Capitão América, embora refletisse ideais patrióticos da DC, era um personagem da Marvel que, com o tempo, passou a criticar o sistema americano.

Mas o lado mais progressista de Stan Lee está sem dúvida nos X-Men. Com diferentes formações, a liga de mutantes luta pelo futuro da humanidade que os rejeita e os odeia. Charles Xavier, o Professor X, opta pelo conflito pacifista, imitando o militante negro Martin Luther King. Já o poderoso Magneto, judeu sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, defende a sobrevivência dos mutantes pelo confronto, simbolizado por Malcoln X na história.

Professor Xavier e Magneto, personagens de X-Men de Stan Lee. Foto: Divulgação

Os X-Men trazem também a representação feminina através da personagem Jean Grey e os diferentes períodos históricos no personagem Wolverine, que possui um “fator de cura” que o mantém imortal.

Numa correspondência de 1968, resgatada pelo site Daily Beast, Stan Lee defende que a luta contra o racismo só é possível “expondo os racistas”. Era uma forma de brigar contra o preconceito e o conservadorismo que já eram ativos na sociedade americana.

Ele fez isso criando personagens fictícios que simbolizavam a história mundial.

O Brasil, e muitos brasileiros, tem bastante a aprender com a extensa obra de Stan Lee.

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