A elite brasileira também é bagaceira. Por Moisés Mendes

Jair Bolsonaro e Patrícia Campos Mello. Foto: Wikimedia Commons/Reprodução/Twitter

As entidades de sempre se repetem nas manifestações de repúdio à agressão de Bolsonaro à repórter Patrícia Campos Mello, da Folha. Saíram notas das entidades dos jornalistas, de jornais e da OAB e foram publicadas manifestações de líderes de partidos, inclusive da direita.

Mas não há uma nota, uma só, de entidades que representam o que o Brasil tem de pior hoje depois dos Bolsonaros. Não há uma nota, uma fala, um pio de entidades empresariais ou ligadas às atividades de quem ganha dinheiro com o bolsonarismo.

As entidades que congregam o “liberalismo” fajuto à brasileira, o liberalismo que apoia golpes, que se cumplicia com milicianos, que aplaude piadas racistas, essas entidades estão quietas. Porque o reacionarismo empresarial brasileiro respalda Bolsonaro.

Os métodos do bolsonarismo se sustentam pelo lastro dos liberais de araque, incluindo cientistas prestativos, muitos professores e juristas que se dizem conservadores, mas são hoje aliados da extrema direita. A estrutura montada por Bolsonaro só existe porque é patrocinada pelos empresários e seus agregados.

A adesão dos liberais ao projeto de Bolsonaro não é ocasional nem oportunista, só para que Bolsonaro leve adiante as reformas que o mercado pede.

Bolsonaro é o comandante de um projeto estrutural. O liberalismo optou por aderir a qualquer governo que leve adiante suas ideias e sua sanha predatória, a qualquer custo, porque não haveria como obter resultados ‘liberalizantes’ sem controle absoluto do poder.

A briga da Folha e do Globo com os Bolsonaros é um ponto fora da curva desse conluio das elites. Globo e Folha estariam de fora do acerto só porque têm seus interesses contrariados por Bolsonaro.

O resto é tudo do mesmo time. A elite brasileira é politicamente retrógrada e culturalmente bagaceira. Não há nenhuma nota de repúdio dos empresários às ofensas de Bolsonaro à jornalista porque eles são da mesma turma.

Para a Fiesp, para os latifundiários, banqueiros, grileiros, para destruidores de matas e rios e profissionais ditos liberais, Bolsonaro é o operador de um grande plano.

Não existe nenhum constrangimento com o que Bolsonaro, os filhos dele, Paulo Guedes, Weintraub, Salles e Damares dizem. O que todos eles dizem publicamente os empresários dizem entre eles.

A bagaceirada da política chegou ao poder porque os bagaceiros da elite empresarial pertencem à mesma laia. A elite brasileira já era bolsonarista antes da existência de Bolsonaro.

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