
A Speedbird Aero quer transformar os Estados Unidos no próximo mercado-chave para suas entregas autônomas por drones, afirmou André Stein, presidente da empresa para as Américas. O executivo diz que o transporte aéreo de cargas pode ganhar escala comercial antes da popularização dos chamados “carros voadores” para passageiros. Com informações de O Globo.
A empresa brasileira já opera em 14 países e acumula mais de 40 mil voos em diferentes ambientes regulatórios. No Brasil, a Speedbird tem licença da Agência Nacional de Aviação Civil para operar comercialmente drones de carga, experiência que pretende usar para buscar aval mais amplo da FAA, autoridade de aviação dos Estados Unidos.
Stein afirmou que a logística não tripulada e a mobilidade aérea urbana para passageiros caminham juntas, mas que os drones tendem a avançar primeiro por serem menores e já terem operação real. “O drone é como um aplicativo do mundo físico: você aplica a tecnologia para resolver qualquer necessidade de ir de um ponto A para o B de maneira simples, integrada e barata, seja para entregar uma refeição ou um suprimento hospitalar urgente”, disse.
O executivo conhece o setor de aviação elétrica e autônoma desde a fase inicial de outro projeto brasileiro de alcance internacional. Ele liderou a estruturação da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer que desenvolve aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, os eVTOLs, e tem ações listadas na Bolsa de Nova York.

Empresa aposta em operação completa para clientes
A Speedbird trabalha com o modelo “Drone as a Service”, em que oferece o drone, o software e a operação, em vez de vender apenas a aeronave. Stein afirma que o formato reduz o risco para clientes que não atuam no setor aéreo e cria receita recorrente para a empresa, já que o contratante não precisa arcar de início com a compra do equipamento nem acompanhar atualizações da frota.
Com sedes no Brasil e em Portugal, a companhia tem Embraer e iFood entre os investidores e prepara uma rodada Série B para financiar a expansão internacional. Stein disse que um IPO pode ser uma saída no futuro, mas que a abertura de capital não é o objetivo imediato da capitalização em curso.
Nos Estados Unidos, a Speedbird pretende competir em um mercado que já tem empresas como Zipline, Amazon e Wing, da Alphabet. Stein afirma que a empresa chega com maturidade operacional, software confiável e capacidade de transportar mais carga do que a maioria dos concorrentes, além de parcerias como iFood no Brasil e Skyports na Europa.
O executivo cita três frentes comerciais já viáveis para drones de carga: logística industrial, transporte médico e entregas de alto volume ao consumidor final. Ele afirma que a escala no comércio eletrônico pode reduzir custos e aumentar a capilaridade para missões médicas, como transporte de amostras de sangue, equipamentos e órgãos.
No Brasil, Stein diz que o drone não substitui necessariamente entregadores terrestres, mas resolve gargalos em áreas onde o transporte por rua perde eficiência. Ele citou condomínios em São Paulo, onde um motoboy pode gastar meia hora na portaria, e Aracaju, onde um braço de rio pode impor um desvio de 40 quilômetros por terra; restaurantes que adotaram os drones da empresa chegaram a aumentar em 50% o volume total de entregas.