A era Bolsonaro rebaixou e desmoralizou até os laranjas. Por Moisés Mendes

Atualizado em 27 de dezembro de 2018 às 9:24
Fabrício Queiroz, um chinelão

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO FACEBOOK DO AUTOR

Cheguei a pensar que Fabrício Queiroz seria alguém com o glamour do malandro carioca. O laranja com ginga, uma mistura musical e cinematográfica do trambiqueiro da Lapa e da empáfia do policial militar com anos de rua e quartel.

Imaginei que Queiroz seria um Zé Carioca capaz de passar a conversa nos eleitores dos Jardins e do Parcão que votam em Bolsonaro e até nos que sabiam que era um operador da família. Esperava que Queiroz tivesse um mínimo de capacidade de argumentação e convencimento.

Cheguei a temer que ele surgisse de repente e hipnotizasse o Brasil com sua conversa de pilantra que aprendeu a movimentar fartos dinheiros com a maestria dos melhores estelionatários cariocas.

Mas Queiroz me decepcionou. Nem amador ele é. Queiroz é um chinelão que desonra os ajudantes de corruptos, os laranjas com um mínimo de categoria como contraventores. Seria bom se não tivesse aparecido. Que continuasse escondido.

Queiroz ofende mulas e laranjas, o PC Farias de Collor, o Paulo Preto de José Serra, o Rocha Loures do jaburu, o primo de Aécio, o Pedro Barusco que roubava para os tucanos na Petrobras.

Queiroz é um laranja charlatão que achou, como seus chefes deviam achar, que nunca seria pego, porque nem os Bolsonaros acreditavam que o líder do clã seria um dia presidente.

Queiroz, o cara de negócios, é a cara dos Bolsonaros. Como um deles era seu comandante, espero que não se ofendam com o elogio. Estamos diante da maior chinelagem produzida pela política brasileira.

O motorista-cofre que arrecadava dinheiro e repassava trocos para a mulher de Bolsonaro é a imagem e o caráter do Brasil bolsonarista.

É alguém sem condições de entrar na galeria de retratos dos grandes laranjas verde-amarelos.

Queiroz não é nem mesmo uma goiaba. O motorista faz-tudo que movimentou R$ 1,2 milhão materializa a imagem do governo antes do governo existir.

A extrema direita rebaixou e desmoralizou até os laranjas.

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Moisés Mendes, jornalista, trabalhou para alguns dos mais importantes jornais do Rio Grande do Sul.