A estagnação de Bolsonaro no Ibope é o limite da indignidade humana. Por Carlos Fernandes

Jair Bolsonaro durante entrevista para a Jovem Pan (YouTube/Reprodução)

Os números da última rodada da pesquisa Ibope divulgados no início da noite dessa segunda (24) nos mostram, mais do que uma simples tendência, um movimento gigantesco em prol da democracia.

A trajetória ascendente que, segundo o instituto, Fernando Haddad vem mantendo desde a oficialização de sua candidatura, demonstra em gráficos o que na vida real é traduzido como a maior expressão de organização e reconhecimento das forças populares para tudo aquilo que representa a defesa de seus mais básicos direitos constitucionais.

Os sinais de arrefecimento da barbárie, personificada nessas eleições na figura daquele que reúne o que de pior nos legou a ditadura militar, igualmente nos revelam que o desprezo pela plena normalidade democrática também possui os seus limites.

E talvez seja essa a grande novidade da pesquisa.

A estagnação de Bolsonaro nos seus 28% mostra-se importante não apenas para a atual disputa, mas sobretudo para ideia de que esse país ainda mantém um certo nível de civilidade.

Mais do que qualquer outro indicador, é isso, a civilidade, o que impedirá que ingressemos, pelo voto popular, em mais um período de extrema repressão de direitos onde o racismo, o preconceito, a misoginia, a homofobia e a violência se transformem, de ofício, em planos de governo.

Barrar, pois, o avanço de Bolsonaro e tudo o que ele representa, significa de uma só vez reconduzir o país à esfera dos preceitos democráticos mais elementares ao mesmo tempo que impede a instalação de um regime totalitário no Brasil, valores, por óbvio, extremamente excludentes.

É, portanto, na construção coletiva da conscientização desses fatos que nos deparamos com outro dado determinante da pesquisa Ibope: a virada que Haddad impõe a Bolsonaro no segundo turno.

Uma vez que o petista já marca o dobro da pontuação verificada pelo terceiro colocado e com isso já sela a sua participação na segunda fase dessas eleições, o que temos a partir daí deixa de ser uma mera disputa política para entrar numa seara em que mais do que projetos de governo, o que se discute é a dignidade humana.

Aqui, pela primeira vez em toda a nossa história republicana, cairão por terra as bandeiras partidárias para que uma batalha infinitamente mais importante seja travada: o da defesa intransigente de que cada cidadão seja tratado como um fim em si mesmo.

Nesse momento o Brasil decidirá não exatamente quem o governa, mas, principalmente, o quê. E pela força, organização e trabalho que os mais diferentes grupos do campo democrático e progressista tem demonstrado, a mim, particularmente, já não resta mais qualquer sombra de dúvidas.

O amor, inevitavelmente, vencerá o ódio.

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