A estranha censura da FNAC ao livro sobre os black blocs que Jô detonou sem ler. Por Kiko Nogueira

Os autores do livro sobre os black blocs no programa do Jô
Os autores do livro sobre os black blocs no programa do Jô

 

Há algo de malcheiroso no desconvite que a FNAC fez aos autores do livro Mascarados – a verdadeira história dos adeptos da tática black bloc.

Uma semana depois de eles serem chamados para um debate, que deveria ocorrer na segunda-feira, dia 17, a livraria cancelou o encontro.

A explicação dada a um dos autores, Willian Novaes (os outros dois são Esther Solano e Bruno Paes Manso), é que se trata de uma ordem da matriz na França, que proibiria eventos relacionados aos black blocs depois de um ataque ao site da empresa (!?!).

O recuo da Fnac vem na esteira de uma entrevista no programa do Jô Soares em que o apresentador deu um show de despreparo e preconceito.

Aliou sua proverbial tagarelice à ignorância completa do assunto, fazendo paralelos malucos com tropas nazistas e sendo descortês com Esther.  “Mas você tirou de letra, né? Levou bomba, gás, foi almoçar com eles…”, disse ele, a certa altura, em tom irônico e acusatório.

Ao R7, Novaes apontou que está em curso “o mesmo princípio de censura” do Jô: “O livro não é uma apologia, é uma reportagem, uma grande pesquisa para explicar quem são e o que eles pensam. É uma ignorância de não querer dar ouvido para temas polêmicos.”

Mais tarde, a FNAC alegou que o cancelamento não passa de “mal entendido de agenda”. A história é absolutamente mal contada. É muito difícil acreditar que, na França, esse tipo de atitude obscurantista aconteceria.

Se há registro na internet do tal ataque, ele está escondido muito bem, o que não faz sentido. Se há um receio de que os adeptos do black bloc apareçam e quebrem o lugar com seus tacapes, isso poderia ser dito.

A conversa mole serve para justificar uma atitude autoritária. Em nome de quê? Há assuntos que merecem ser discutidos e outros não? Obras que não agradam serão retiradas da vitrine? Se fosse o lançamento do livro sobre o “movimento” Vem Pra Rua, o protocolo seria igual?

Paes Manso contou que Jô Soares ligou pedindo-lhe desculpas pelo que fez na televisão. A FNAC fica devendo uma explicação.

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