A estratégia do PL para defender vice de Flávio acusado de estupro de vulnerável

Atualizado em 7 de agosto de 2026 às 12:45
Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar no anúncio da chapa para as eleições de 2026
Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar no anúncio da candidatura para as eleições de 2026. Foto: Reprodução

O PL montou uma estratégia política e jurídica para defender o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, diante da repercussão de acusações feitas por parlamentares opositores, segundo o jornal O Globo. Ele nega a acusação de estupro de vulnerável.

A campanha de Flávio Bolsonaro pretende conter o desgaste antes que o tema se estabeleça como uma linha central de ataque na disputa eleitoral. A sigla orientou seus integrantes a não esconder o candidato a vice e a sustentar publicamente que a acusação é falsa e já era conhecida quando a chapa o escolheu.

Na frente jurídica, a defesa de Gaspar quer acelerar uma resposta das autoridades e considera o exame de DNA seu principal instrumento para rebater as suspeitas. O grupo de Flávio tenta evitar que o procedimento permaneça indefinido até o início da propaganda eleitoral.

A escolha de Gaspar buscava mudar a agenda da pré-campanha, marcada por dificuldades para formar alianças, pela crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelos desdobramentos do caso Banco Master. Relator da CPI do INSS, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, ele deveria reforçar as bandeiras de combate à corrupção e segurança pública.

Alfredo Gaspar. Foto: Andressa ANholete/Agência Senado

PT planeja ampliar críticas após prazo de registro das candidaturas

Aliados do presidente Lula calculam que devem esperar até 15 de agosto, data-limite para o registro das candidaturas, para intensificar os ataques contra Gaspar. A avaliação é que o prazo assegurará a presença do deputado na chapa de Flávio Bolsonaro antes de uma ofensiva mais intensa.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que integra a coordenação da campanha de Lula, criticou a indicação nas redes sociais. “Flávio Bolsonaro acabou de indicar para vice um cidadão que foi acusado de estupro de vulnerável. Como se não bastasse, Alfredo Gaspar é investigado por emendas PIX de R$ 6 milhões para um prefeito em Alagoas”, escreveu.

Gaspar afirma que não é investigado no procedimento do Tribunal de Contas da União sobre emendas de R$ 6 milhões destinadas a São José da Laje, em Alagoas. O deputado diz que enviou os recursos de forma regular e que a execução e a prestação de contas cabem à prefeitura.

Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura de Flávio Bolsonaro e responsável por apresentar o nome de Gaspar, disse que acompanhou o surgimento da acusação durante a CPI e que o episódio entrou na avaliação anterior à escolha. “Aceitar que esse tipo de jogo sujo, que essa pusilanimidade, possa ser normalizada no processo eleitoral é aceitar que nós estamos numa falência do ponto de vista ético e incontornável”, afirmou.

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