
Integrantes do PT e do governo Lula identificaram três frentes para explorar politicamente contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a crítica pública de Michelle Bolsonaro: credibilidade, relatos atribuídos a ele por aliados e familiares e contradições entre discurso e prática no bolsonarismo.
A avaliação entre governistas é que a fala da ex-primeira-dama atingiu um dos principais esforços do entorno de Flávio Bolsonaro, que é apresentá-lo como uma versão mais moderada e confiável de Jair Bolsonaro.
A linha em discussão usa as palavras da própria Michelle para sustentar o argumento de que o senador não representa uma renovação dentro do bolsonarismo. Governistas avaliam que a crítica tem peso político por partir do núcleo familiar mais próximo do ex-presidente.
Integrantes do PT também consideram que a manifestação é de difícil desqualificação no campo conservador, já que Michelle mantém interlocução com lideranças religiosas e com setores do bolsonarismo.
PT mira imagem de moderação atribuída a Flávio
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, expressou publicamente uma avaliação que circula entre governistas sobre o impacto da fala de Michelle contra Flávio Bolsonaro.

“Não passa de uma tentativa do marketing de criar um personagem que não resiste aos fatos: Flávio é tão machista, tão misógino e desrespeitoso com as mulheres quanto Jair. Tal pai, tal filho. A manifestação de Michelle Bolsonaro revela que a falta de confiança na palavra, na postura e na capacidade de Flávio está entre aliados, lideranças religiosas, conservadoras e até mesmo dentro da família.”
A fala de Valadares concentra a crítica no contraste entre a tentativa de reposicionar Flávio e a imagem associada ao ex-presidente. A estratégia governista busca associar o senador às mesmas práticas e discursos atribuídos a Jair Bolsonaro.
A discussão interna no PT trata a fala de Michelle como material para peças políticas e discursos públicos contra Flávio Bolsonaro, especialmente em temas ligados à confiança, relação com aliados conservadores e coerência dentro do bolsonarismo.