A extrema direita brasileira sobrevive e aguarda Trump. Por Moisés Mendes

Atualizado em 18 de março de 2024 às 8:09
Donald Trump. (Foto: Reprodução)

Por que a extrema direita brasileira não está moribunda, como muitos esperavam que estivesse mais de um ano depois da posse de Lula? Por vários fatores, alguns de fácil comprovação e outros entregues às especulações.

Primeiro, porque Bolsonaro não morreu politicamente, como mostram as pesquisas, e os danos dos últimos acontecimentos envolvendo os militares ainda não foram medidos.

A aglomeração na Paulista foi o primeiro efeito prático da respiração boca a boca em Bolsonaro, com resultados surpreendentes para quem esperava menos gente e menos entusiasmo.

O bolsonarismo e o antipetismo sobrevivem também às custas da artilharia da grande imprensa, que volta a atacar Lula com a intensidade dos seus dois primeiros governos.

Essa artilharia ajuda a atrapalhar a percepção média do povo de que a vida de fato melhorou. Até porque tem gente achando, por convencimento da Globo, que faz parte do mesmo grupo que se queixa da não entrega de todo o lucro da Petrobras às hienas do mercado.

Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

A extrema direita sobrevive também pela combinação de expectativas externas, que mexem com o ânimo de uma classe média branca e bem de vida que se informa sobre o que acontece lá fora.

Essa classe média ativa de tios e tias, que é a base do bolsonarismo e esteve na Paulista, animou-se com a eleição de Javier Milei na Argentina e está animada com a possibilidade de retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.

Nesse domingo, Trump disse em Ohio que no seu novo governo imigrantes serão reprimidos e devolvidos aos seus países, porque “não são pessoas”, e anunciou que sua derrota causará “um banho de sangue”.

Trump está certo de que a democracia americana acabou e que sua eleição (ou sua derrota) será o ápice de um processo de destruição iniciado com a invasão do Capitólio e que a eleição de Joe Biden apenas suspendeu ou amenizou por quatro anos.

Trump é decisivo para os ânimos do fascismo brasileiro, e o próprio Bolsonaro já avisou que a volta do republicano vai ajudar no seu fortalecimento.

As eleições aqui e lá acontecem esse ano e darão a medida do vigor da extrema direita no Brasil. As eleições municipais serão, no primeiro turno, no dia 6 de outubro.

Mas só teremos o impacto nas capitais e em cidades com mais de 200 mil habitantes, que terão segundo turno, no dia 27 de outubro.

Dependendo do que acontecer no segundo turno nas capitais e antes também em cidades médias e pequenas, teremos o conjunto da obra bolsonarista, que pode manter, ampliar ou enfraquecer a pulsação fascista.

E logo depois, no dia 5 de novembro, teremos as eleições nos Estados Unidos, com as pesquisas indicando a vitória de Trump.

Até lá, dependendo das novas descobertas do golpe, o bolsonarismo pode estar respirando e ativo, à espera da possibilidade de sobrevida e, a partir daí, das expectativas para 2026, mesmo com Bolsonaro inelegível.

Ah, dirão, mas Bolsonaro poderá estar preso. Poderá. Mas as circunstâncias irão se reacomodar, com outros cenários e outros nomes, dependendo do que acontecer aqui, nas eleições municipais, e depois na eleição americana.

Originalmente publicado em Blog do Moisés Mendes

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