
O ator bolsonarista Juliano Cazarré, criador de evento “Red Pill”, divulgou fake news sobre feminicídio durante participação na GloboNews nesta terça (12), em um debate sobre masculinidade. Durante a conversa, o artista afirmou que mulheres matariam mais parceiros do que homens matam mulheres no Brasil, utilizando números já desmentidos por especialistas e pesquisadores da área.
Ao comentar a violência no país, ele declarou: “Inclusive mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres. Tem 2.500 homens assassinados por mulheres no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens”.
Os dados mencionados pelo ator circulam desde o ano passado em vídeos nas redes sociais e misturam estatísticas diferentes para construir uma comparação incorreta. Os números utilizam um percentual antigo e fora de contexto atribuído ao Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
O cálculo parte de uma estimativa global de 2013 segundo a qual 6% dos homicídios de homens seriam cometidos por parceiras íntimas. O índice foi aplicado de forma indevida ao total de mortes violentas registradas no Brasil, incluindo homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes provocadas por intervenção policial.
🚨 VEJA l Juliano Cazarré diz que "mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres" e fala divide opiniões pic.twitter.com/Ccqqjh6r7G
— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) May 13, 2026
Especialistas ouvidos pela Veja apontam que a comparação com feminicídios é inadequada porque os assassinatos de mulheres por questão de gênero possuem classificação específica. O levantamento utilizado nas publicações omite que, naquele mesmo estudo internacional, 40% dos homicídios de mulheres no mundo foram cometidos por parceiros íntimos.
Dados mais recentes da ONU (Organização das Nações Unidas) indicam que 60% dos feminicídios registrados globalmente acontecem dentro do ambiente familiar ou em relações afetivas. Entre homens, o percentual de homicídios ocorridos na esfera privada é de cerca de 12%, segundo os dados citados no debate sobre violência de gênero.
No Brasil, os registros oficiais também apontam crescimento dos casos de feminicídio nos últimos anos. Estatísticas recentes mostram aumento desse tipo de crime e recorde de ocorrências ao longo da última década.