A fala de Fachin que revoltou ministros do STF

Atualizado em 1 de abril de 2026 às 12:29
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Foto: Victor Piemonte/STF

As declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, nesta terça (31), causaram irritação entre uma ala da Corte. O magistrado abordou temas como erros de juízes, a necessidade de um código de conduta e o encerramento do inquérito das fake news, mas suas falas geraram desconforto entre ao menos cinco ministros, segundo a Folha de S.Paulo.

Eles acusaram Fachin de expor publicamente os problemas internos do Supremo, o que tem enfraquecido a unidade da Corte e aumentado a crise de credibilidade, em especial com as investigações sobre o escândalo do Banco Master.

Os ministros detonaram Fachin por desgastar os colegas em praça pública, dando munição a opositores do Supremo. Em um ano eleitoral com ataques previstos à Corte, esse tipo de exposição é considerado prejudicial.

Para esses ministros, o presidente do STF deveria ter adotado uma estratégia de redução de danos, comunicando previamente aos colegas que abordaria assuntos delicados com a imprensa, incluindo temas como o código de ética e o inquérito das fake news.

Ministros no plenário do Supremo Tribunal Federal. Foto: Ton Molina/STF

O grupo de ministros acredita que Fachin, embora aja de boa-fé, não considerou os efeitos negativos de suas declarações para a coesão interna do STF. Eles também se opõem ao encerramento do inquérito das fake news neste momento, considerando que essa discussão acaba ofuscando questões mais urgentes do Judiciário, como a fiscalização das decisões sobre os penduricalhos. Para eles, focar em debates éticos no momento pode ser contraproducente.

Em coletiva de imprensa, Fachin defendeu o código de conduta e a necessidade de que juízes respondam pelos erros, afirmando que quem age contra as regras éticas deve repensar seu comportamento. Sua fala foi interpretada como uma tentativa de estabelecer um conjunto de regras, mas não foi direcionada especificamente ao caso das investigações do Banco Master ou a qualquer comportamento particular dos ministros do STF.

Apesar das críticas internas, Fachin tem afirmado a seus auxiliares que não se sente isolado no Supremo e continua mantendo diálogos regulares com todos os ministros para mapear os desafios da corte e buscar soluções em conjunto. Ele defende que a integridade moral do tribunal e a imparcialidade dos ministros são bandeiras inegociáveis em sua gestão, e que as críticas não comprometem seu trabalho.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.