A fala de Flávio Bolsonaro sobre os EUA que revoltou aliados de Lula

Atualizado em 30 de março de 2026 às 14:04
O senador Flávio Bolsonaro durante discurso no CPAC. Foto: Divulgação

A declaração do senador Flávio Bolsonaro sobre o papel do Brasil no fornecimento de minerais estratégicos aos Estados Unidos causou a revolta de integrantes do governo Lula e de parlamentares de esquerda. A fala foi feita durante a Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, realizada no Texas, no sábado (29).

No evento, o senador afirmou que o Brasil pode ter um papel central na redução da dependência americana da China no setor de terras-raras. “O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos”, disse, ao mencionar o tema em seu discurso.

A repercussão foi imediata entre aliados do governo federal. A ministra Gleisi Hoffmann criticou a declaração e afirmou que posicionamentos desse tipo são prejudiciais ao país. “Os vendilhões da pátria não tomam jeito”, escreveu nas redes sociais.

O deputado Guilherme Boulos também comentou o caso e classificou a fala como um marco no cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, o senador teria assumido compromisso público envolvendo recursos estratégicos do país.

“Este cidadão está oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira em troca de apoio. Entenderam o que vai estar em jogo em outubro?”, declarou o parlamentar.

O deputado Lindbergh Farias também reagiu e afirmou que o posicionamento representa alinhamento a interesses externos. Ele classificou o senador como “traidor da pátria” e de “marionete de Trump” ao comentar a declaração do parlamentar.

A fala ocorreu no mesmo discurso em que Flávio defendeu monitoramento internacional das eleições brasileiras e fez críticas ao governo federal. O senador tem ampliado compromissos no exterior, dentro de uma estratégia de projeção para a disputa presidencial de 2026.

No cenário global, os minerais conhecidos como terras-raras ganharam relevância diante da disputa entre Estados Unidos e China. Esses elementos são utilizados na produção de tecnologias como baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos, além de aplicações na indústria de defesa.

As terras-raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente em baixas concentrações, o que torna a extração mais complexa. O Brasil possui cerca de 23% das reservas globais, ficando atrás apenas da China, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil.

Além disso, o país detém participação relevante em outros minerais estratégicos. No caso do lítio, utilizado em baterias, concentra cerca de 8% das reservas mundiais. Já o nióbio, empregado em ligas metálicas de alta resistência, tem no Brasil aproximadamente 93,1% das reservas globais.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.