A família de Lula só quer viver como cidadãos normais, diz Paulo Okamotto ao DCM. Por Larissa Bernardes

Paulo Okamotto após visitar Lula na prisão (Foto: Ricardo Stuckert)

A prisão do ex-presidente Lula completou um ano no dia 7 de abril de 2019. Viúvo, Luiz Inácio Lula da Silva é pai, avô e bisavô.

Os impactos da condenação orquestrada pelo ex-juiz Sérgio Moro não atingiram apenas a democracia brasileira, mas também devastaram uma família.

Ao contrário do que é difundido pelas fake news bolsonaristas, os filhos de Lula lutam para se manter nos eixos enquanto aguardam justiça para o pai.

O DCM conversou, exclusivamente, com Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e amigo pessoal do ex-presidente.

Okamotto revela que os filhos de Lula sofrem com o estigma imputado pela mídia corporativa contra o ex-presidente e sua família.

“A família toda está abalada por todo esse processo, [por todo] esse linchamento público que não os deixa ter tranquilidade para tocarem suas vidas”, afirma.

Apesar de toda a situação, resilientes como o pai, os filhos lutam como podem para garantir o sustento da família.

Lurian Silva, a filha mais velha do ex-presidente, chegou a vender ovos de páscoa pela internet para complementar a renda.

“Eles evitam lugares públicos, mas cada um toca sua vida. O Luis Cláudio [filho mais novo de Lula] trabalha na Assembleia [Legislativa de São Paulo], outros têm negócios, tentam manter seus negócios… mas, sempre com muito ‘pé atrás’”, diz Okamotto.

“Nesse período todo, eles perderam a mãe, o pai está preso, houve a morte do Arthur [neto de Lula, de 7 anos, que faleceu em março por conta de uma infecção bacteriana]… Então, eles passaram por muito sofrimento, mas estão tentando tocar a vida”.

Questionado sobre a expectativa dos filhos quanto à possibilidade de Lula ir para o regime semiaberto ou domiciliar, Okamotto diz que a família deseja que o ex-presidente esteja o mais confortável e seguro possível.

“Exatamente, eu não sei, teria que perguntar para eles, mas um filho sempre quer que o pai esteja o mais confortável possível, em casa”, diz.

Lula, no entanto, deu indícios de que não aceitará sair da prisão até que sua inocência seja provada.

“A coisa mais desagradável, mais injusta, é você ter alguém condenado por algo que não fez. [A condenação de Lula] é uma questão política, de preconceito”, desabafa o amigo de Lula.

“É importante reforçar que, apesar de tudo, dos percalços da vida, e de toda a tragédia, as pessoas [da família de Lula] estão, aos pouquinhos, correndo atrás de suas coisas e retomando suas vidas. Eles querem viver como cidadãos normais, como qualquer brasileiro”, finaliza Paulo Okamotto.

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