A fantasia do americano médio

Manifestação contra a Guerra do Vietnã, em 1971

Uma mensagem no twitter reflete à perfeição o que pensa o americano médio: “Nós libertamos a Líbia, e agora eles retribuem desse jeito.”

Sim. O americano médio acredita que seu país libertou a Líbia, e também o Iraque, e também o Afeganistão etc. Os árabes, segundo essa lógica, deveriam estar agradecendo aos Estados Unidos pela sua bondosa presença na região. Se não estão fazendo isso, é porque são selvagens, fanáticos, primitivos.

É uma espécie de ilusão coletiva. O americano comum – o do Big Mac e da Coca litro, mais o saco maior de pipocas e os filmes do Stallone – entende que seu país tem uma missão civilizadora e filantrópica na Arábia e no mundo. Os líderes dos dois partidos têm, ao longo dos anos, estimulado essa ilusão, como mais uma vez se verifica na presente campanha para as eleições presidenciais.

Enquanto a fantasia perdurar, os países árabes darão cada vez mais demonstrações de ingratidão aos benfeitores americanos. Aspas.

O horror só vai mudar quando o americano médio sair de seu longo torpor e se perguntar: o que nós fazemos para sermos tão detestados? Nos anos 1960, isso aconteceu – e foi o bastante para que a Guerra do Vietnã chegasse ao fim. O americano médio acordou, foi às ruas, protestou e teve sucesso.

Depois, voltou a dormir, um sono que já se arrasta há  quase meio século.

É mais que hora de acordar de novo.

 

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