A fantástica história do pênis que não é da Fiocruz. Por Moisés Mendes

Reprodução

Originalmente publicado em BLOG DO MOISÉS MENDES

Por Moisés Mendes

A médica Mayra Pinheiro, a capitã cloroquina, anda com a história do pênis da Fiocruz pra baixo e pra cima há pelo menos 10 dias. A médica chegou a apresentá-la na CPI do Genocídio no dia 25 de maio.

Pois a Folha mandou finalmente um repórter (que não assina o texto, talvez por constrangimento) atrás do pênis da Fiocruz.

E descobriu que o pênis inflável de fato existiu, mas ninguém sabe onde foi exposto e tampouco por onde anda. E nunca esteve na Fiocruz e não é da Fiocruz.

Procurar o pênis perdido também é jornalismo investigativo. A reportagem é divertida. Leia na íntegra abaixo:

FOLHA DE S. PAULO

Citado na CPI da Covid, pênis inflável existiu e foi usado em campanha sobre HIV

Instituto ligado à Fiocruz, porém, não diz onde houve divulgação e afirma que ‘Fiocruz jamais teve a imagem de pênis em nenhuma portaria”

“Eles têm um pênis na porta da Fiocruz.” A afirmação, feita pela
secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, e divulgada em um áudio durante seu depoimento à CPI da Covid no dia 25 de maio, viralizou nas redes sociais.

Mayra, conhecida como “capitã cloroquina”, virou motivo de piada e, também nas redes, ficou declarado que o tal objeto fálico inflável era uma referência à torre que aparece no logotipo dos 120 anos do instituto, com sede no Rio de Janeiro.

Mas, no mesmo dia do depoimento, uma usuária do Twitter postou uma foto onde se vê um pênis branco, inflável, ao lado de um banner convidando as pessoas para participar de uma campanha de prevenção do HIV.

“Uma amiga servidora da Fiocruz me mandou essa foto. Mas não entendi o auê por causa desse pinto mixuruca. Essa moça está muito sedenta mesmo. Kkkkkkk”, escreveu a autora do post na rede social.

No cartaz ao lado do objeto inflável, há os símbolos do Estudo AMP (anticorpos mediando a prevenção, da sigla em inglês), da Fiocruz e do INI (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas), órgão ligado à Fiocruz.

A reportagem entrou em contato com o INI, que confirmou que o pênis inflável existiu. “A imagem em questão é parte de uma campanha de prevenção da infecção pelo HIV e de recrutamento para um estudo que testou o uso de anticorpos monoclonais para a prevenção da aquisição da infecção pelo HIV”, informou a instituição.

Por email, o INI afirmou que “além de oferecer assistência direta aos pacientes e desenvolver pesquisas, também promove atividades de prevenção com foco nas populações mais vulneráveis a diversas doenças infectocontagiosas, inclusive as sexualmente transmissíveis”.

Porém a assessoria de imprensa do órgão não respondeu onde o pênis inflável foi instalado — se em alguma área do instituto, que fica a cerca de 300 metros da sede da Fiocruz, no bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro– nem quando. Escreveu apenas que “a Fiocruz jamais teve a imagem de um pênis em nenhuma portaria”.

A Folha tentou contato com o perfil que postou a foto no Twitter, mas não recebeu retorno até a publicação desse texto.

(O trecho mais sensacional da reportagem da Folha é o que fala na “assessoria de imprensa do órgão”…)

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