A ficha corrida do novo presidente da CBF

Com as denúncias de assédio sexual e moral, Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF, conforme comunicado divulgado pela entidade neste domingo (06). Antônio Carlos Nunes irá assumir o cargo interinamente por 30 dias, enquanto Caboclo se defende das acusações. No entanto, Nunes também tem vários escândalos na sua trajetória esportiva.

Um dos casos mais importantes envolve a Comissão da Verdade, pois Nunes é militar. O novo cartola foi um dos beneficiados com a anistia dos crimes cometidos pela ditadura. Outro episódio lamentável aconteceu numa votação para escolha de sede da Copa de 2026. O combinado era que os 10 países da Conmebol votassem pela candidatura dos EUA.

Mas a ficha corrida de Nunes remonta aos anos 1970. Segundo reportagem de 2016 da Agência Pública, à época, Nunes recebia R$ 14.768 de salário da Força Aérea como como anistiado, “vítima de ato de exceção de motivação política”. Márcio Thomaz Bastos, concedeu, além das prestações mensais, uma indenização retroativa de R$ 243.416,25.

Porém, os registros das Forças Armadas, da Polícia Militar do Pará e a história de vida de Antônio Carlos Nunes mostram quadro oposto ao de alguém oprimido nos anos do Regime Militar. Nunes teve seis promoções em 24 anos e quatro delas foram na Ditadura.

“Em maio de 1971, vem a prova definitiva de confiança do regime em Antônio Carlos Nunes de Lima: é nomeado comandante da Companhia Independente da Polícia Militar de Santarém (CIPM), atual 3º Batalhão PM/PA), onde fica até abril de 1974”, conta Castro.

Estratégica para o governo, Santarém era uma das cidades mais vigiadas no começo dos anos 1970. Em 21 de setembro de 1969, o governo, através do Decreto-Lei 866, inclui Santarém como ‘Área de Segurança Nacional’”. Nunes era o comandante da PM de Santarém nessa época.

Coronel Nunes, novo presidente da CBF