A Folha vai dispensar a colunista ou o robô? Por Moisés Mendes

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 15:01
Natalia Beauty. Foto: Divulgação

A Folha confirmou o que seus leitores já vinham denunciando. Os textos da colunista Natalia Beauty (foto), uma das maiores influenciadoras do mercado de beleza, que também ‘escreve’ sobre política, são elaborados por Inteligência Artificial.

A moça, que é milionária, admitiu o seguinte: submete seus ‘raciocínios’ à IA e a inteligência ‘estrutura’ seus textos. Natalia já ficou famosa por suas posições rasas sobre questões complexas.

O robô que a ajuda é fraco. É o grande escândalo do ano no jornalismo. Uma moça do mercado da beleza dá palpites sobre identitarismo e outras pautas, a partir do que a IA escreve em seu nome.

A ombudsman do jornal, Alexandra Moraes, confirmou: os textos são de IA. A própria autora admitiu que usa IA, deixando pistas de que não são dela os textos reacionários que publica.

Alexandra Moraes. Foto: Divulgação

A explicação é a mais óbvia: uma comentarista de beleza vira comentarista de questões políticas e passa do seu mundo para o mundo dos comentaristas, cientistas, jornalistas e outros palpiteiros. É um salto.

A Folha ajuda a patrocinar essa gandaia. Se fosse o contrário, se um jornalista decidisse escrever sobre micropigmentação de sobrancelhas e lábios, seria logo desmascarado.

A colunista respondeu à ombudsman, ao ser questionada, com um texto elaborado pela IA. Admitiu o que fez: “Defini o conteúdo, dei os comandos por voz e a tecnologia apenas estruturou o texto para otimizar meu tempo, sem interferir em absolutamente nenhuma linha do que penso ou afirmo”.

A Folha, o Globo, o Estadão e outros veículos podem descobrir que há muitos outros colunistas fazendo o mesmo. E vão fazer o quê? Demitir o robô?

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/