
A morte da PM Gisele Alves Santana, ocorrida em 18 de fevereiro em São Paulo, teve uma reviravolta após a foto feita por um socorrista durante o atendimento à ocorrência. A imagem foi tirada por Rodrigo Almeida Rodrigues, sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência, e gerou dúvidas sobre a versão inicial de suicídio.
Com base nas fotos preservadas, a polícia passou a considerar o caso como suspeito, levando a investigação a seguir um novo rumo. Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento que dividia com seu marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite.
O socorrista, ao perceber inconsistências na cena, documentou a ocorrência, destacando pontos que não se alinhavam com um possível suicídio. Entre eles, chamou atenção a arma posicionada de forma incomum na mão da vítima e o estado do marido, que estava seco e sem sinais de sangue, indicando que ele não havia prestado socorro.
O comportamento do tenente-coronel também foi questionado. Ele não demonstrou desespero pela perda da esposa e estava calmo ao telefone, o que contrastava com a situação de emergência. Outro detalhe que intrigou o socorrista foi o estado do quarto, que estava desarrumado e sugeria que poderia ter ocorrido algum tipo de embate físico, algo raro em casos de suicídio.

O depoimento de Geraldo, que alegou ter encontrado a esposa caída após ouvir um barulho enquanto tomava banho, foi analisado pela polícia. Ele afirmou que tentou se separar dela naquele dia e que a esposa reagiu de forma exaltada, pedindo que ele saísse do quarto.
Em seguida, ele foi tomar banho. Após o incidente, Geraldo recebeu atendimento psicológico no hospital e afirmou que Gisele não tomava medicamentos controlados.
A investigação também incluiu a solicitação de perícia no local e exames para detectar a presença de pólvora nas mãos de Gisele e Geraldo. Durante a apreensão, foram encontrados objetos, incluindo a pistola Glock .40, três celulares e outros itens.
A morte de Gisele deixou uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior, e a polícia continua investigando a causa da morte, que agora é tratada como um possível caso de feminicídio. Em busca de mais esclarecimentos, a Justiça autorizou a exumação do corpo da vítima.