
Santa Catarina é observada por ser o cenário de mais um duelo esdrúxulo. A deputada federal Caroline de Toni, do PL, é anunciada por antecipação como dona de uma das vagas ao Senado. É o que mostram todas as pesquisas.
E Caroline quase ficou de fora da chapa da extrema direita, porque a dupla escolhida, até o início do ano, era formada por Carluxo (também do PL) e pelo ex-governador Esperidião Amin.
Amin foi excluído do grupo, apesar de apoiado até meses atrás pelo governador Jorginho Mello (PL), e deve concorrer avulso pelo PP. O bolsonarismo optou por Caroline e Carluxo, por ter prevalecido que ela, e não Amin, tinha a preferência.
E Carluxo permaneceu porque era nome inquestionável, desde o momento em que Bolsonaro determinou que ele manda e desmanda em Santa Catarina.
O que acontece agora? O governador perde apoio importante da maioria do PP, na tentativa de se reeleger, e Amin vai para o confronto, pela velha direita, com os ungidos pelo bolsonarismo.
Amin é senador, foi prefeito da capital e governador e tem reconhecimento como a mais importante figura histórica viva da direita no Estado.

A pergunta que fazem em Santa Catarina é essa: essa figura de 78 anos, com uma trajetória desse tamanho, e que foi aliado importante do bolsonarismo, pode perder uma das vagas da direita para Carluxo?
Os catarinenses jogariam fora a história de Amin para votar no filho de Bolsonaro, um carioca que não sabe onde fica o Saco dos Limões em Florianópolis?
Essa é a guerra. As esquerdas estão, claro, na briga, mas o que prevalece até agora que é que SC deve ser um dos Estados em que as duas vagas ficarão com a direita. Se Amin for derrotado, a velha direita, da antiga Arena, irá desparecer no Estado.
Os candidatos à esquerda são Décio Lima, ex-prefeito de Blumenau, pelo PT, e Afrânio Boppré, vereador de Florianópolis, pelo PSOL.
(O Saco dos Limões é um dos mais antigos bairros do centro da ilha de Florianópolis, vizinho do campus da Universidade Federal de Santa Catarina. Carluxo não sabe onde fica o Saco e tampouco a universidade. Os Bolsonaros só conhecem clubes de tiro da cidade.)