A grandeza de Jane Fonda e seu protesto de casaco vermelho no Oscar. Por Nathalí

HOLLYWOOD, CALIFORNIA – Jane Fonda apresenta o prêmio de melhor filme no Oscar 2020. (Kevin Winter/Getty Images)

Democracia em vertigem não ganhou o Oscar – quem precisa de Oscar quando se ganha o mundo? -, mas não se pode dizer, nem de longe, que essa não foi uma premiação histórica e no mínimo feliz para os progressistas do mundo.

Jane Fonda, que entregou o prêmio mais importante da noite – o de melhor filme, merecidamente levado por Parasita -, preparou para a cerimônia um protesto silencioso e contundente: o casaco vermelho que levava nos braços é o seu bom e velho “casaco de protesto”.

Ela usa a peça em manifestações por políticas públicas mais incisivas contra mudanças climáticas.

E por quê vermelho? Porque Hollywood é comunista, ora essa (Julia Reichert que o diga, que ganhou o prêmio de melhor documentário com ‘Indústria Americana’ e leu um trecho no manifesto comunista em seu discurso).

Chupem, conservadores.

Jane Fonda definitivamente não é uma militante de ocasião. Assim como o casaco, o protesto a acompanha na vida. A atriz e ativista não compra mais roupas como forma de aumentar a conscientização sobre as mudanças climáticas no mundo – na cerimônia do Oscar, inclusive, repetiu um look usado em Cannes em 2014.

O recado é claro: a futilidade dos looks milionários e jamais repetidos no tapete vermelho custa muito ao planeta (e, sim, repetir uma roupa pode ser um protestozão da p*rra, caso você seja a Jane Fonda).

Talvez  a velha esquerda – ou os esquerdistas desavisados, ou os dois grupos – considerem este um protesto fútil. “Salvou o planeta”, alguém dirá, e essa colocação será mais ingênua do que o mais desgraçado dos bolsominions sentindo-se realizado porque Petra Costa não trouxe a estatueta pro Brasil.

Moda é política. O impacto da indústria têxtil é um dos mais nocivos ao planeta, daí a necessidade – que vem sendo sentida não apenas por Jane Fonda, mas também nos mais importantes eventos de moda pelo mundo – de revolucionar essa indústria e seus modos de produção e consumo.

No Brasil, a bandeira é frequentemente levantada por Giovanna Nader, atriz, ativista, mãe e fundadora do Projeto Gaveta, que esteve presente no Baile da Vogue 2020 com um modelito confeccionado a partir de todo o lixo que chegou até ela por uma semana (por acaso ela é também esposa de Gregorio Duvivier, e isso é só um detalhe pra nós).

A julgar pelas projeções desanimadoras no que concerne aos impactos ambientais para os próximos anos, qualquer um que não considere o ativismo ambiental importante precisa urgentemente sair de sua caixinha empoeirada de prioridades.

A luta pelo planeta chegou ao tapete vermelho e ao Baile da Vogue.

E se Jane Fonda repete roupa, quem sou eu pra não repetir?

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