A guerra das cassandras gaúchas. Por Moisés Mendes

Atualizado em 8 de abril de 2026 às 22:42
Edegar Pretto e Juliana Brizola
Edegar Pretto e Juliana Brizola, pré-candidatos do PT e PDT ao governo do Rio Grande do Sul

Há setores das esquerdas gaúchas assustados com a virulência do debate entre os pró-Pretto e pró-Juliana nas redes sociais.

O confronto se intensificou com a decisão do PT nacional de impor Juliana Brizola (PDT) como a sua candidata e de Lula, e descartar Edegar Pretto (PT), ex-deputado e presidente da Conab.

Antes mesmo da eleição poderemos medir as sequelas desse embate que faz a festa do fascismo. Pretto já era considerado o nome do PT para enfrentar o bolsonarista Coronel Zucco (PL).

Já sabemos que serão grandes os estragos no desfecho da guerra das cassandras de um e de outro lado, na linha manjada do ‘eu avisei’.

Os julianistas e prettistas dirão que alertaram e não foram ouvidos, se os resultados não forem os esperados na eleição estadual.

Palácio Piratini, o palácio do governo estadual do Rio Grande do Sul
Palácio Piratini. Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini

Mas Juliana na cabeça é o que Lula deseja para a articulação nacional com o PDT, apesar da situação ruim para o trabalhismo e o brizolismo.

O PDT perdeu oito dos 17 deputados na Câmara e ficou com apenas nove, na recente janela partidária que permitia troca de partidos.

O PDT tem 50 das 497 prefeituras no Rio Grande do Sul. Fica em terceiro lugar, atrás de PP com 164 e MDB com 125. O PT tem 18 prefeitos.

Mas a bancada federal do PDT é de dois deputados e a do PT tem seis. Na Assembleia, o PT tem 11 deputados e o PDT tem cinco.

As esquerdas gaúchas têm a tradição dos embates internos, uma marca afirmada pelo PT, mas nunca tinha visto, desde 2002, nada igual com o que acontece agora.

Naquele ano, Olívio (que era governador e tentaria a reeleição) e Tarso (que era prefeito de Porto Alegre) disputaram uma prévia pela candidatura do PT ao governo do Estado.

Tarso venceu a prévia, mas perdeu a eleição para o Germano Rigotto (então PMDB),e muitos colocaram a culpa no racha das prévias.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/