A guerra é mesmo contra o Carluxo e a mamadeira de piroca? Por Moisés Mendes

A guerra é mesmo contra o Carluxo e a mamadeira de piroca? Por Moisés Mendes. Foto: Reprodução

Publicado originalmente no blog do autor

O Facebook fechou a fábrica de mentiras e difamações sustentada por Bolsonaro, com dinheiro público, operada pelos filhos e pelos milicianos virtuais amigos deles.

Fechou tarde, mas pelo menos está agindo, em nome do resgate de anunciantes em fuga e da reversão da imagem de que sempre foi omisso com a difusão da mentira e do ódio.

São muitas as perguntas que a providência acaba acionando. Como o Facebook bloqueou só agora mais de 80 contas que eram manipuladas pelo mundo pelas gangues de Bolsonaro, se sabia que existiam há pelo menos dois anos?

O que as esquerdas farão com os resultados e os impactos da ação do Facebook, que entrega de graça a prova de que bandidos e robôs agiam em vários países em nome de Bolsonaro?

As esquerdas nunca fizeram nada de efetivo que impedisse a prosperidade dos grupos agora cassados, além de tentar combater a guerra da extrema direita com as táticas de guerrilha do Twitter e do WhatsApp.

As esquerdas vão finalmente admitir que o sucesso da rede mafiosa de mentiras só funcionou porque as pessoas acreditam nas mentiras?

E que essa é a maior prova do déficit de comunicação das esquerdas com o contingente que acredita nas fake news de Bolsonaro?

Chegaremos ao dia em que o PT e as esquerdas finalmente concordarão que estratégia de comunicação é mais do que tentar guerrear contra as mentiras do fascismo, mas construir e apoiar estruturas de produção de conteúdos, como fizeram argentinos, uruguaios, chilenos?

As esquerdas brasileiras continuarão convencidas, por preguiça, que poderão vencer a guerra contra a turma de Bolsonaro se forem mais eficientes no WhatsApp?

As esquerdas acreditam mesmo na guerra de torpedos e de três linhas no Twitter?

As esquerdas entregaram a população (incluindo a classe média em desalento) à manipulação dos Bolsonaros, porque desprezaram a comunicação para muito além da formação de grupos de mensagem para atirar flechas nos robôs a serviço da extrema direita.

E as grandes corporações? E a mídia hegemônica sem regulamentação? E as redes de rádios da direita, que nunca tiveram um contraponto da esquerda?

Eis a pergunta: a guerra é mesmo contra o Carluxo e será vencida se derrotar o Gabinete do Ódio e a mamadeira de piroca? Mais não escrevo para não ser redundante.

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