A guerra entre os “tigres” de Doria e os “menudos” de Bruno Covas. Por José Cássio

Doria e Bruno Covas. Foto: HELOISA BALLARINI/SECOM/DIVULGAÇÃO

Anote para me cobrar mais tarde: Bruno Covas será o próximo a ser comido.

O neto de Mário Covas, que chegou à prefeitura de São Paulo sem nenhuma vocação administrativa, está na mira do governador eleito de São Paulo, João Doria.

Doria e seu estafe têm um plano para minimizar os efeitos da apatia de Bruno no processo eleitoral: tutelar o prefeito, deixando-o livre para curtir a vida como gosta, desde que aceite as indicações do palácio dos Bandeirantes para tornar a gestão municipal mais eficiente.

A análise de Doria e seus auxiliares é de que a capital está devagar quase parando.

Não há novidade, serviços básicos não são realizados a contento.

Causa preocupação no grupo a influência exercida sobre o prefeito por Gustavo Pires, amigo de Bruno que se tornou o homem-forte do governo.

Gustavo, de apenas 27 anos, é responsável pela coordenação de projetos estratégicos e uma espécie de intermediário entre o prefeito e os secretários municipais.

De objetivo até aqui o que se sabe dele é que aproveitou o fato de ser o queridinho de Bruno para encher a prefeitura com indicações de amigos de faculdade e balada – até a mãe entrou na dança.

Gustavo é aquele meninão bombadinho que sempre aparece, em tom casual, nos vídeos que Bruno grava para divulgar a sua agenda pela cidade. É ele também o primeiro amigo nas viagens que o prefeito gosta de fazer.

Pesa contra Covas, junto ao grupo que vai comandar o palácio dos Bandeirantes a partir do ano que vem, não apenas a inépcia gerencial e política. Auxiliares de Doria reclamam que ele não moveu uma palha sequer em benefício do gestor na eleição.

Bruno acabou se tornando um problema por causa do peso de São Paulo na estratégia eleitoral de 2022, quando Doria vai tentar a reeleição ou até mesmo a presidência.

A priori a ideia é ajudar com indicações de quadros técnicos para tornar a gestão mais eficiente e prepará-lo para disputar a reeleição em 2020.

Gilberto Kassab, indicado secretário da Casa Civil do governo, e ex-prefeito da capital, seria o “tutor” do projeto. Outro ponto de apoio seria o presidente da Câmara de vereadores, Milton Leite, aliado de Doria e por quem Bruno nutre um misto de respeito e medo.

“A ideia é pilotar as duas máquinas, da prefeitura e do Estado, e deixar Doria livre para fazer o que sabe, que é política”, comenta um auxiliar próximo ao governador eleito. “Com isso, Bruno vai ficar a vontade para acordar na hora que bem entender, viajar e curtir as baladas de que tanto gosta”.

Entre os correligionários de Bruno, a informação que circula é outra.

Seus subordinados divulgam que ele é um político frio, que pensa duas vezes antes de tomar qualquer decisão. E que, por lealdade ao gestor, está aguardando Doria desocupar seus cabides na prefeitura para que enfim possa impor a sua marca pessoal na administração.

Nas oportunidades que teve de mexer os pauzinhos, porém, não foi além de encher a prefeitura de garotos indicados por seu amigo de 27 anos.

Eles estão espalhados por toda a administração, dando pitacos em tudo, e até agora resolutividade que é bom, nada.

A aposição não perdoa.

“João Doria vivia do marketing. Fazia espuma e por baixo logo a gente via que não tinha nada. Bruno, nem isso é capaz de fazer”, critica o vereador Antônio Donato, do PT.

Os próximos 50 dias serão decisivos para se conhecer o desdobramento desta queda de braço entre os “tigres” de João Doria, Kassab e Milton Leite à frente, e os “menudos” de Bruno, comandados por Gustavo Pires.

A chance do prefeito ser comido, aqui ou lá na frente, é na minha modesta opinião a melhor aposta a se fazer.  

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