A histeria racista da criminalização dos ‘rolezinhos’

 

De todos os rolezinhos desde o final do ano passado, não houve nenhuma ocorrência de furtos ou roubos.

A palavra de ordem mais contundente dos organizadores, até agora, tem sido mais ou menos a seguinte: “A gente quer se divertir, curtir e ficar com as minas”.

Foi o que falou o jovem A.F., que criou uma página no Facebook chamando para um encontro no Shopping Itaquera no próximo dia 18.

As intenções de A.F.:

. “A gente não quer arrastão”

. “Todo mundo diz que funkeiro é favelado, não gosta de trabalhar. Mas a maioria dos meus amigos trabalha como eu e tem pai e mãe”

. “Queria falar com eles [a direção do centro de compras] para eles se prepararem”

. “Tem pegação, a gente tira foto juntos. Conheci gente de outras regiões, da Vila Alpina, Mauá”

. “Aqui a gente só tem o shopping. Antes a gente fazia uns encontros na rua, ficava ouvindo música, mas a polícia já chegava batendo. Então decidimos voltar a se encontrar nos shoppings”

Em determinada altura dos eventos, costuma haver uma correria. Lojas fecham as portas. A violência, quando aconteceu, foi após a chegada da PM, que faz o de sempre: desce a porrada.

Repetindo: não houve roubos ou furtos nos rolês.

No entanto, os participantes já foram criminalizados e condenados ao degredo. De todas as coisas irresponsáveis e estúpidas proferidas sobre eles, eis a conversa da apresentadora do SBT Rachel Sheherazade em dezembro:

Foi justamente a violência, o caos urbano, que forçou o consumidor a abandonar o comércio de rua, as praças públicas, os cinemas, teatros, restaurantes e migrar para espaços fechados e vigiados.

Mas, agora, até esse refúgio foi violado! 

O que fazer? 

Fechar os olhos? Fingir que não há perigo nos “rolezinhos”, como fizeram os shoppings para ofuscar a propaganda negativa? 

Devemos defender o direito dos arruaceiros de se reunir em locais privados, sem prévia autorização, tumultuando a ordem pública, espalhando o medo, afastando as famílias, intimidando os frequentadores?

Ou só vamos tomar providência quando os arrastões migrarem das periferias para os shoppings de luxo?

Onde houve arrastão? Refúgio de quem? A histeria de Rachel lembra, em certos momentos, o hoje clássico comentário de Arnaldo Jabor sobre as primeiras manifestações em junho passado (o primeiro, não o mea culpa 48 horas depois, abraçando os manifestantes por ordens superiores porque seriam “contra o governo”).

O blogueiro da Veja Rodrigo Constantino foi além: “Não toleram as ‘patricinhas’ e os ‘mauricinhos’, a riqueza alheia, a civilização mais educada. Não aceitam conviver com as diferenças, tolerar que há locais mais refinados que demandam comportamento mais discreto, ao contrário de um baile funk. São bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade, e morrem de inveja da civilização”.

Ao ver isso comparado às teorias de superioridade racial dos nazistas, Constantino teve de escrever outro texto para explicar esse trecho. Em “Mein Kampf”, aliás, Hitler diz que “em toda mistura de sangue entre o Ariano e povos inferiores, o resultado foi sempre a extinção do elemento civilizador”.

Os povos inferiores, para Hitler, serviram apenas como ferramenta para a civilização superior. “O ditado: ‘o negro fez a sua obrigação, pode se retirar’, possui infelizmente uma significação profunda. Só os bobos pacifistas é que podem enxergar nisso um indício de maldição humana”, escreveu.

Não adianta o secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e o de São Paulo, Fernando Grella Vieira, declarararem, textualmente, que “rolezinho não é crime”. Eles estão acima da lei.

A simplificação preconceituosa de um movimento complexo (que existe inclusive nos EUA, como você pode ler aqui) é uma espécie de torcida para que as coisas saiam dos trilhos e a turma do apocalipse possa bradar: “Eu não disse, eu não disse?”

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79 COMMENTS

  1. Essa maluca é o símbolo daquele naipe de pessoa que se avistar um grupo de jovens negros na esquina tem um troço porque acha que é arrastão, mas se for um grupo de brancos já chega com o dinheiro separado achando que é trote de faculdade.

  2. Como é fraquinho esse Constantino. Não explicou coisíssima nenhuma o “bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade”…

  3. Queria saber quando alguém da mídia vai ter coragem de tocar na ferida e chamar na chincha o senhor Sílvio Santos. Sei que é difícil, já que o Senor divide com o Roberto Carlos o posto de vaca sagrada do imáginario Pop brazuca, com defensores ferrenhos em todos os lados nos âmbitos políticos e sociais. Mas é difícil aturar o silêncio quando vemos Sílvio Santos abrigar em seu canal duas pessoas assumidamente racistas e higienistas como Gentili e Sheherazade, sem esquecer do fato do dono do SBT ter enriquecido ao se valer de um esquema de pirâmide travestido de carnê da felicidade.

    • Boa Silvio! (imagina o falecido Lombardi dizendo isso kkkk).
      Já levantei essa questão a algum tempo atrás. Incrível como ninguém nunca critica aquele senhor senil de uma maneira mais contundente.

  4. O dó dessa Sheherazade, ainda bem que é bonitinha, porque se fosse pra depender da “intiligença”………hahha como é que pode falar uma coisa dessas?, ainda bem que tem o DCM, pra eu nao achar que esse tipo de imbecilidade é pensamento comum no Brasil.

        • eu fiz a brincadeira, mas o assunto é serio né. Realmente nao existe beleza em uma pessoa assim. Ela só me faz sentir pena, pois seu egoismo nao deixa ela ver a realidade a dois passos do seu próprio umbigo. Quem sabe um xoque de realidade? Uma semana vivendo sem mordomias, conforme a maioria do povo vive, ou quem sabe em uma vila perdida e esquecida nos cantos do Brasil, ou uma favela ou periferia. Seria muito bom pra ela.

          • É, eu sei, Paulão, mas já estou num nível em que pena por esses tipos não é mais opção. Estou no campo do puro desprezo, amigo. Verdade, é feio, mas é vero!

            Agora, imagine que ela deve cuidar muito bem da barriguinha. Então, não conseguir enxergar um palmo a frente do umbigo é cegueira de corpo e alma, não?

            Ela precisa de rolezinho no IML pra ver a realidade humana.

            Abraço.

          • Forcei não, Luis, é que não comungamos do mesmo gosto – ou, no meu caso, se vc preferir, de mau gosto. Ou, ainda, vc não dá o mesmo valor a outras referências que eu dou.

            Abraço.

    • Quem essa Rachel? Qual a relevância dela? Às vezes acho que o DCM dá destaque exagerado a figuras absolutamente irrelevantes.

      • nao é bem assim po, ele é apresentadora do jornal do SBT Brasil, ela leva essas menagens preconceituosas para o Brasil inteiro, toda indiguinadinha. Se o SBT é um canal aberto e popular como pode passar esse tipo de opinião que segrega as pessoas?

        • Desculpe, mas continuo achando desproporcional o destaque dado a essa jornalista pelo DCM. Não é a primeira vez que vejo o nome dela em destaque nesse blog, em um curto espaço de tempo. Não acredito que ela tenha tamanha relevância no jornalismo brasileiro.

          • Humm, beleza, ha então aproveita e deixa uma sugestão/contribuição aí. eu to meio por fora pois TV ta dificil de assistir.

  5. Olha só, a moralista Sherezade é funcionária do governo da Paraíba, escrivã no tribunal, e há três anos não comparece no emprego.

  6. A Rachel Sheherazade é a musa inspiradora de uma classe média pretensamente educada e culta que não aceita muito conviver com uma gente, por eles, vista como feia, suja e mal educada que insiste em compartilhar espaços, tumultuar a ordem pública e intimidar os frequentadores: as famílias perfeitas de comercial de margarina.

    Isso me fez lembrar do movimento SOS Canasvieiras, onde um povo lindo e louro luta contra a presença de mendigos em uma praia de Santa Catarina a qual pretendem que seja restrita.

    É a higienização coxinha como bem nos apresentou o Jornalismo Wando

    http://br.noticias.yahoo.com/blogs/jornalismo-wando/solu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-higienizar-o-brasil-160846354.html

    P.S. Logo apareceram os reaças criticando a citação a classe média como se fosse uma heresia.

    • Então Sérgio é bem isso mesmo que voce falou, na minha opinião. Porem o caso de floripa (eu morei lá 4 anos) acho que outra coisa. Acredito que tem mais haver com os comerciantes querendo atrais turistas. Lá tem um povinho caça dinheiro de turista que vo te falar em. é quem pode mais. Quero deixar claro que sou totalmente contrario a esse tipo de comportamento. todos são iguais e todos são livres pra estar em lugares publicos do jeito que quiserem.

    • Deturpada a notícia de Canasvieiras. O Cerne da questão ali era as prefeituras vizinhas colocando os mendigos a força em vans e despejando lá de madrugada.

  7. ma má má, isso nao da um axé?????

    Foge foge bonitinha, foge foge foge com o Olavão
    Também tem o Constantino e nao esquece do Lobão

    hahah

  8. Só acho que o fato dela ser paraibana não é demérito nenhum. Existe racismo em todo o Brasil, independente até da cor da pele, imagina da região em que se nasce. Mas um preconceito não compensa o outro e não há nenhum paradoxo nisso. Só acho.

    • Caro Pinheiro Neto, o paradoxo reside no fato de que tenha saído uma nazifacista do meio do bom povo da nossa querida Paraíba. Abraço!

  9. Quanto ao Sr. Senor Abravanel, lembro que certa feita ele foi chamado para concorrer à Presidente da República pelo famigerado PFL, pois um sindicalista estava se sobressaindo nas pesquisas, e os candidatos da direitona eram pífios, ele aceitou, fez campanha até onde pode, pedia votos em seus programas, porém os noticiosos do SBT eram imparciais, ou não criticavam nenhum lado, hoje está claro que o SS quer combater o LuloDilmismo e o PT.

  10. Cara, não vou nem tocar no comentário sobre rolêzinho… Queria apenas falar dessa pseudo jornalista aí:

    Me assusta uma mulher de 40 anos falando umas paradas dessa daí… Se daqui uns dias ela se eleger deputada(que não é difícil), vai mandar projeto pra esterilizar gente pobre e botar negro na câmara de gás…

    Ela enche a boca pra falar de Jesus Cristo, mas esquece que ele dormia com leproso, comia na casa de pobre e enfrentava os poderosos… E por final, tbm se reunia com a galera pra dar seus rolêzinhos… Grande Jesus!!!

          • Ela acredita piamente que não é preconceituosa, e isso para mim é pior que hipocrisia.
            O hipócrita se adapta a situação, ela tem fé que está com a razão.

          • Então a pá de cal: Ela é burra ou mal intencionada mesmo. Pô, a mulher ocupa a bancada jornalística de uma grande rede de tv, é funcionária pública do judiciário, mas não sabe interpretar suas próprias posições em relação à fé que professa e propaga? Então é mal intencionada mesmo. Hipocrisia pra ela é um bálsamo. Acho que você tá certo.

    • Olá Joel,
      O que os jovens do rolezinho estão fazendo é uma provocação. A mensagem é no sentido de dizer: “podemos ser invisíveis para vocês, mas nós existimos”. As reações também têm sido no sentido de provocar: “entrar em um lugar privado sem prévia autorização”, é uma pérola. Se a deputada aí se eleger, deve propor voltarmos ao estágio de precisar de uma carta de alforria para permitir a livre circulação. Na versão moderna, com carimbo especial de permissão para ingresso a shoppings.
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      Brasil, uma História de lutas: 16/janeiro
      1834 – Primeira Carneirada, rebelião popular chefiada pelos irmãos Carneiro no Recife.
      1970 – No Rio, o jornalista e dirigente comunista Mário Alves, que tinha criado um grupo de jovens e experientes revolucionários na organização chamado PCBR, é barbaramente assassinato num dos mais terríveis centros de tortura da Ditadura, o DOI-Codi. . A causa da morte é hemorragia provocada por empalamento com um cassetete. Anos depois ele se tornou o primeiro desaparecido político reconhecido pelo Estado brasileiro
      1981 – A Justiça Militar condena com base na Lei de Segurança Nacional três jornalistas do jornal Hora do Povo, por denunciarem a evasão de dólares do Brasil para a Suíça.
      1992 – O Conselho Regional de Medicina (SP) processa Harry Shibata e outros médicos acusados de colaborar com a repressão sob a ditadura.

        • Olá Artur. Muito gentil de sua parte. Estaremos aqui, neste ano que promete muita discussão. Grande abraço.
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          Brasil, uma História de lutas – 17 de janeiro
          1644– Maurício de Nassau envia Rudolf Baro e mil soldados contra Palmares, com base em dados do espião Bartolomeu Lintz. O holandês volta com 31 presos (sete índios). O quilombo tem 11 mil habitantes.

  11. Eu não sei, mas é um tipo de masoquismo acompanhar essa senhora ou senhorita em seus arroubos preconceituosos? Nunca bi esta mulher na minha vida, nunca verei. Ah, tá certo que alguém tem que criticá-la, mas não sei se fazê-lo aqui, um espaço repleto de, ahn, progressistas, vá “esclarecer” alguém.

    É claro que não li a matéria, pois não me interesso por ela, da mesma maneira que não me interessa sua detratação aqui, neste espaço. Se ela tem que ser criticada, que o seja massivamente, mas o que digo, entendam, é que, criticá-la aqui, é chover no molhado.

  12. Exceto Bob Fernandes da Gazeta, não há mais nenhuma voz na mídia televisada que tenha uma versão mais ”esquerdista” dos fatos. A mídia, definitivamente, não tem intenção nenhuma em mudar o rumo. Uma só versão; Um só testemunho; Uma só visão.

    Tô cheio dos bóris, jabores, waacks, datenas, resendes,mervais, jôs e caterva nojenta. Apesar de que quase não ver a TV aberta, mas já o pouco que me chega é revoltante.

    Sistema digestivo em colapso, licença para o hugo…

  13. A impressão que tenho, observando os acontecimentos de quem está bem longe dos grandes centros, é que a maioria absoluta das pessoas esqueceu que é apenas um indivíduo da espécie humana, mortal como qualquer ser vivo deste pequeno planeta de uma pequena galáxia num universo que não se sabe o tamanho.

  14. Paulo, nunca vi coisa boa alguma e SS. É um tremendo dum espertalhão, homem de negócios tão e unicamente. Soube enganar e arregimentar adoradores. Dançou marchas militares ao som das musiquinhas bregas dos seus programas. Lembra da “Semana do Presidente” em plena época da ditadura?

    Bom era o Betinho.

    • Isso aí, André! Curioso: algumas pessoas guardaram a impressão de que Silvio Santos, entre os barões midiáticos, é o que menos se envolve com política. Apenas impressão. Silvio Santos é uma raposa. Estou certo de que você sabe disso e fez citação mas, somente para deixar registrado, além daquele quadro “Semana do Presidente” (espécie de porta-voz oficioso do não-importa-quem-estivesse-no-planalto governo), havia também aquela musiquinha do “fulano é coisa nossa, diz que vai vai, mas que vai vem” na qual, frequentemente, ele incluía nomes de figurões da política com o intuito de bajulá-los.

      • Uuuuh, é mesmo, até lembrei : ♪… e o Colasuonno, é coisa nossa. Masi que vai, vai, mais que vai e vem…♫

        Boa, Arturzão.

  15. “Adoro” o modo como a Rachel Scheherazade (se fosse a da história, teria sido decapitada no primeiro dia de contação de histórias, hehehe!) fala sempre primeiro obviedades e logo depois absurdos com uma aura de sábia espalhando revelações profundas, com um leve sorriso irônico de quem enxerga tudo criticamente… Chega a ser engraçado. Nessa questão dos rolezinhos, por tudo que já vi, concluo que há erros de ambas as partes e em comum há só muita tensão social explodindo facilmente, mas a Rachel Scheherazade consegue transformar toda essa complexidade em mais um comentário besta e reacionário.

  16. A Sheherazade original enrolou o rei da Pérsia durante 1001 noites contando histórias para que ele não a matasse. Há quanto tempo essa moça está no ar? Vamos chamar o Rei da Pérsia pra acabar com ela!

  17. Quero só ver como ficaria o congresso com esse tipo de gente:

    Feliciano felicifrão, aquele que pede a senha do cartão de crédito ao “fiel”.

    Crivella, sócio proprietário da igreja universal.

    Marina: a crentinha, coitadinha, do Acre.

    Marotinho/a: crentes fundamentalistas. (A marotinha diz que o homem não pode
    descender do macaco porque ninguém jamais viu um macaco ou uma macaca, de joelhos, orando. Como se alguma pessoa séria já tivesse falado que o homem descende do macaco.)

    Eurico-furico: do partido de felicifrão.

    E agora…

    Eu sempre associei o nome de Sheherazade a uma mulher bonita e inteligente,
    flutuando em tapetes voadores multicoloridos, feitos de fios de ouro e de seda,
    percorrendo com graça e leveza os céus das arábias! (Sei, ela tava presa ;(

    Enquanto contava suas histórias, ela dançava a dança do ventre e a dança dos sete véus, ao som de tablas e flautas tocadas por entes invisíveis. Nos últimos compassos da música da dança dos sete véus, ela, toda desnuda…. Tá bom.

    E o que nos aparece com esse nome?

    Tchan Tchan Tchan Tchan!!!!!

    Uma periguete racista! E burra!

    E da rede Sílvio Santos – SS. OPS!!! SS???? Mera coincidência?

  18. Credo!!! praibana nazista!!! Isso é o que se pode chamar de paradoxo. Se tem uma coisa absolutamente “nonsense”, é nazifacismo tupiniquim, kkk!

  19. Todos uns doentes, a Raquel e esse outro aí…também não sabe absolutamente nada quem acha que rolezinho no Shopping Itaquera ofende por invadir um espaço da elite e da classe média reaça. Quem acha isso realmente nunca pisou nesse Shopping. São os mesmos meninos que frequentam esses lugares em grupos de 5, 10 ou 15. Agora resolveram ir 500 de uma vez. Realmente não é a mesma coisa.

  20. E tanto a esquerda quanto a direita disputam quem pode mais para transformar os rolezinhos em algo que não são nem querem ser.

  21. Cansei de tanto discursinho sociológico e tanta bobagem de esquerda e direita na mídia.

    Porque o homem normal não vem dizer a verdade sobre o rolezinho aqui? Sobre o que realmente afeta o seu dia a dia em vez de ficarem achando que a classe média tem inveja da periferia querer consumir e querer seu espaço e toda essa balela?? Aqui tem um shopping que é palco de rolezinho todo domingo, cada vez maiores e ninguém proibiu. Grande que digo pro nosso porte (200.000 h). São de 8 a 12 grupos que variam de 10 a 30 jovens que se reúnem.

    Usam toda essa indumentária, a maioria por azar ou por falta de acesso não são esteticamente bonitos e quando digo isso não se trata de padrão nenhum, se trata de olhar para alguém e não achar atraente. E estamos em SC, tem muito loiro de olho azul.

    Chegando perto, talvez por falta de acesso econômico ou falta de alguém ensinar como fazer, muitos deles tem um cheiro de quem não curte muito higiene. Estou apenas sendo honesto, e parem de hipocrisia, independente da classe social quem curte a proximidade de alguém fedendo ou com bafo?

    Juntamos a isso que eles te olham sempre de forma desafiadora quando em grupo, se estiver com sua namorada, esposa ou filha e for bonita em geral “comem” ela com os olhos descaradamente sem se importar de vc estar aí. Um desafio aberto. Isso se não rolar uma gracinha mesmo.

    Falam alto, não pode fumar no shopping mas tentam. Bebem bebida alcoolica trazida de fora nos corredores. Falam muitos palavrões e bem alto. Fazem brincadeiras engraçadas na praça de alimentação como peidar do seu lado ou brincadeiras de empurra empurra entre si. Jogam papeis e chicletes no chão.

    Isso quando não estão em tensão com outro grupo similar e o clima ficar pior ainda. Muita teoria, muita sociologia, muita coisa linda nessas análises, pouca realidade com as coisas do dia a dia, nada a ver com ideologias.

    Resultado? Esse Shopping aos domingos em família não da mais. Se preciso ir pra algo vou só.

    O problema pra mim é o que o ser humano se transforma em grupos, como as torcidas organizadas.

    Falta realismo nesses papinhos de vcs.

    • Gigena: esta é uma análise absolutamente de direita, ainda que vc fale que está cansado de direita e esquerda.
      Repare no Constantino, no Azevedo, na Scherazade: é o mesmo discurso.

      • Paulo, não é uma análise, é um depoimento de uma pessoa normal. Não me importa se rico ou pobre, eu tenho que gostar de quem faz isso do meu lado???

      • Falta de educação e de valores não tem NADA a ver com condição social ou raça. Tem mãe pobre que não tolera filho ladrão e entrega para a polícia, tem mãe pobre que não admite filho que não respeita mulher , principalmente a dos outros. Melhor, mãe pobre resolve esse tipo de coisa metendo a mão na cara do moleque e não ficando de conversinha que nem madame faz. Não politize o que escrevi que não tem nada a ver com extrato social, tem a ver com comportamentos de grupos.

      • E mais , escreve aí a tua atitude se acontecer com vc!! O que vc faria ? São fatos Paulo, é a vida real.

    • É complicado, Gigena, se é. Eu tenho plena certeza que ninguém aqui tolera pessoas fedendo ou com bafo. Mas, particularmente, eu nunca vi grupos de jovens nessas condições. Normalmente, galera se arruma o melhor que pode. Até porque jovens vão ao shopping flertar, e tem que ir “nos panos”.

      Quando eu era jovem, uns 14 anos, (inconsequente e burro, por falta de palavra melhor) já participei de briga em porta de shopping, previamente combinada. Sabíamos quem estaria lá e íamos causar mesmo.

      Uma vez, vi um conhecido (só que ele era vagabundo e bandido na época), passar a mão no corpo de uma moça só pro namorado vir defendê-la e os caras quebrarem o rapaz na pancada. Ninguém me contou. Eu vi. Atualmente, esse conhecido virou evangélico, se arrepende de um monte coisa.

      Foi o único caso mais grave que vi na vida, e partiu de um cara lixo mesmo. Mas, nunca vi ninguém proibir ninguém de entrar no shopping. E acho que selecionar quem entra é equivocado.

      Um caso recente, no shopping Anália Franco (em São paulo, zona leste), caminhando em frente depois do acesso de pedestres e subindo dois lances de escada, você dá de cara com um McDonald’s. Durante as tardes de final de semana, é muito comum haver grupos de crianças, pedindo pedaços de lanches ou dinheiro. Não vi nenhuma movimentação para expulsá-los. Mas, era visível o desconforto das pessoas. Note: creio que elas conseguiram um lanche.

      O que está muito errado não é apenas proibir a entrada de jovens, mas selecionar quais jovens vão entrar no shopping. Isso é muito deselegante.

      Mas, não posso discordar de você num ponto, se um moleque mexer com a minha esposa ou sobrinha no shopping, a gente vai rolar no chão, não tolero isso.

      Abraço

      • Felipe perfeitos teus argumentos, se reparar e sei que faz isso, não olhando tudo por um viés ideológico, pode notar que em momento nenhum sequer sugeri qualquer tipo de seleção que aqui não acontece. A minha solução foi eu perceber que o ambiente não é mais familiar e me retirar. No caso de necessidade vou só.
        A minha opinião é bem clara: Tem risco, tem medo, se sentem inseguros? Fecha, fecha o shopping e fecha pra todos, simples.

        • Sim, eu entendi sim, Gigena. Você apenas relatou situações que por vezes ocorrem e não tem como negar. Acontece mesmo de um grupinho de oito jovens numa mesa na praça de alimentação, barulhar bastante.

          E realmente, o “rolezinho” que é uma forma de lazer, não um protesto, foi vestido ideologicamente.

          Esse texto do Kiko, não. Ele é bastante pontual, fala dos absurdos da apresentadora/jornalista do SBT, mas tem um na CartaCapital que diz “ir ao shopping é um ato político”. Aí é demais, né? Grande abraço

  22. No carnaval do Rio minha esposa foi convidada a se retirar de um carro alegórico da Estácio e escolher outro porque aquele era da comunidade e ela não poderia estar por ser branca.

  23. Essa eu nunca contei: No carnaval do Rio minha esposa foi convidada a se retirar de um carro alegórico da Estácio e escolher outro porque aquele era da comunidade e ela não poderia estar por ser branca. Caberia denuncia?? Esclareço que foi na maior gentileza que falaram ok?

  24. Parece que na bahia existe uma corda no carnaval de rua que separa quem pode pagar pra ficar atras do trio eletrico e o resto é o resto. aí tem a segurança que desce o cacete se alguem quiser invadir o espaço nobre.

  25. Aparentemente, terá um “rolezinho” no Shopping Aricanduva (zona leste de sampa), que é relativamente próximo a minha casa. Talvez eu vá e veja de perto o que está causando tal comportamento histérico do pessoal. Filmo algumas coisas e posto um depoimento aqui.

    Sempre teve “rolê” em shopping. Quando adolescente, eu também ia. Meus amigos iam. Jovens de diversos níveis socioeconômicos, na faixa dos 13 aos 20 e poucos anos. Eu juro que não entendi até agora quando começou todo esse medo do tal rolê.

    E, por fim, sugiro que aqueles que tenham facebook (e curiosidade) entrem nas páginas dos rolezinhos e vejam os depoimentos, as conversas e o que pensam os jovens que estão comparecendo aos eventos. É interessante para entender o fenômeno e o ponto de vista deles. Ali, no “habitat virtual” deles.

    Muitos dizendo que não irão por medo de apanhar da polícia ou dos seguranças dos shoppings. Um dos organizadores disse que, mesmo respondendo a processo, irá ao próximo. Outro, diz que será um barato correr da polícia nos corredores do shopping. E um outro, bem cômico, diz: “Mudou de role pra protesto? kkkk”.

    Infelizmente, ainda creio que a sociedade não saberá lidar com isso. Vai continuar colocando polícia atrás de adolescente e barrando pessoas na portaria. E assim caminha a humanidade.

  26. Fala, Clayton. Eu era editor da Veja SP. Não fazia matérias de política. Foi um período bem legal, aliás. Abs.

  27. Muitos dos que dizem que esses garotos deveriam fazer rolezinhos em escolas, bibliotecas e centros culturais não conhecem nada além da verborragia fascistóide de Olavo de Carvalho, Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Luís Felipe Pondé, Rodrigo Constantino, Diogo Mainardi, Caio Binder e Rachel Sherazade.

    Muitos dos que chamam os garotos do rolezinho de “vagabundos” ou “desocupados” pertencem àquela que se convencionou chamar de “geração nem-nem” – jovens que NEM trabalham, NEM estudam.

    Quanta hipocrisia!

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