“A história será gentil para mim, já que pretendo escrevê-la”: Uma ‘entrevista’ com Winston Churchill. Por Camila Nogueira

Camila e nosso ilustre convidado.

Tido como herói pela maior parte dos ingleses, Winston Churchill foi uma força essencial no combate ao nazismo e a Hitler. Conservador, foi um grande frasista e por conta disso o selecionamos para mais uma sessão da “Conversa com Celebridades Mortas”. 

Mr. Churchill, o senhor foi um político muito bem-sucedido. Ao que tribui todo o seu sucesso?

À conservação de energia. Meu lema é: Se você está em pé e pode se sentar, sente-se; se você está sentado e pode se deitar, deite-se.

Compartilho de tal lema.

Mas isso não é tudo. Tenho uma boa autoestima. Quero dizer, sei muito bem que não somos nada mais que minhocas, mas acredito ser uma minhoca brilhante. E também sou corajoso.

Naturalmente. A coragem é uma qualidade imprescindível, não é mesmo?

A coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é a qualidade que garante todas as demais. Você precisa ter coragem e saber arriscar. Na guerra, a palavra de ordem “segurança antes de tudo” leva diretamente à derrota. Para mim, é melhor morrer em combate do que ver ultrajada a nação.

Em todos os anos durante os quais atuou no cenário político, o senhor conquistou algum inimigo?

Posso ter conquistado inimigos (o que é uma coisa boa; significa que você lutou por alguma coisa boa, em algum momento da sua vida), mas nunca odiei ninguém além de Hitler – e mesmo isso é profissional. Se Hitler invadisse o inferno, eu cogitaria me aliar ao demônio.

Hmmm…

Era insuportável não saber com certeza se Hitler passaria para a história como o tirano que, mais uma vez, jogou sobre o mundo uma guerra na qual a civilização quase sucumbiu ou como um herói que restaurou a honra e a paz de espírito da nação germânica.

E o senhor? Como passou ou passará para a história?

A história será gentil para mim, já que pretendo escrevê-la.

Além do nazismo, há outro tipo de ideologia que o senhor despreza?

O socialismo. O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja.

Palavras duras, Mr. Churchill, com as quais eu não concordo. Direi apenas que, para mim, o capitalismo não é nada melhor.

E eu direi que você está equivocada. A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição de riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição de misérias.

Deixemos de lado esse tema. O senhor tem um excelente senso de humor.

É claro. A imaginação consola os homens do que não podem ser; o senso de humor consola-os do que são. Ele também impede que sejamos pessimistas. O pessimista vê a dificuldade em cada oportunidade, enquanto o otimista vê a oportunidade em cada dificuldade.

Então o senhor é um otimista?

Sim. Mas só porque não me parece muito útil ser outra coisa.

E acha que tudo dará certo algum dia?

Eu acredito na verdade. A verdade é incontroversa – a malícia pode atacá-la, a ignorância pode ridicularizá-la, mas no fim, lá está ela. Uma vez ou outra você vai tropeçar na verdade, mas a maior parte de nós levanta e sai correndo, sem olhar para trás, como se nada houvesse acontecido.

Se pudesse oferecer um conselho aos jovens, qual seria?

Afastam-se de bajuladores. Eles são aqueles camaradas que alimentam um crocodilo apenas porque pretendem comê-lo no final.

O senhor foi conhecido, Mr. Churchill, como um grande beberrão. Isso o prejudicou?

Não. Eu tirei mais proveito do álcool do que ele de mim.

Verdade?

O álcool, minha cara, é um vício justificável. A água não foi feita para ser bebida. Para torná -la suficientemente saborosa, somos obrigados a adicionar uísque.

O senhor sempre foi assim?!

Quando eu era mais novo, prometia a mim mesmo que não ficaria bêbado antes do almoço. Atualmente, prometo que não ficarei bêbado antes do café da manhã.

Gostaria de uma taça de conhaque, Mr. Churchill?

Eu não quero meu conhaque nem preciso dele, mas acho que é bastante perigoso interferir com um hábito inextirpável de uma vida inteira. Portanto, aceito.

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