A impertinente resposta de Dallagnol à comissão da Câmara que o convidou a depor. Por Helena Chagas

Deltan Dallagnol Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Publicado originalmente no site Os Divergentes

POR HELENA CHAGAS

O caso Vaza Jato esquentou e o ambiente não anda dos mais tranquilos na força-tarefa de Curitiba. O procurador Deltan Dallagnol mandou há pouco ofício à Comissão de Direitos Humanos da Câmara informando que não irá amanhã à audiência pública para falar sobre as mensagens de conversas com o ex-juiz Sergio Moro divulgadas pelo The Intercept e outros veículos. Como é convite, e não convocação, ele pode não comparecer, embora a presença estivesse confirmada. Suas alegações pegaram mal entre deputados.

É muito provável, segundo alguns, que a resposta de Dallagnol vá provocar, agora sim, uma medida mais forte. Como se trata de um procurador, e não de um ministro de Estado, há dúvidas se uma comissão temática poderia obrigá-lo a comparecer. Uma CPI, certamente – e é bom não esquecer que a CPMI das Fake News está para ser instalada. De qualquer jeito, a ida de Dallagnol ficaria para agosto, depois do recesso.

Desagradou especialmente o tom do oficio, considerado impertinente ao insinuar que a Câmara trataria apenas de debates políticos, enquanto o Ministério Público, do qual faz parte, cuida de questões “técnicas”. Dallagnol se diz “ impossibilitado” de atender ao convite da comissão porque, como membro do MP,  “instituição essencial à Justiça”, tem como função constitucional “desempenhar trabalho de natureza técnica perante o Judiciário, outro poder, situação distinta daquela de agentes públicos vinculados ao Poder Executivo”.

“Muito embora tenha sincero respeito e profundo apreço pelo papel do Congresso nos debates de natureza política que realiza e agradeça o convite para neles participar, acredito ser importante concentrar na esfera técnica minhas manifestações sobre mensagens de origem criminosa, cuja veracidade e autenticidade não reconhecemos, e que vêm sendo usadas para atacar a Operação Lava Jato”, conclui.

Na prática, a recusa do procurador mostra que, no mínimo, a força tarefa teme as perguntas que lá ouviria – que provavelmente seguiriam a linha das que inquiriram o o ministro Sergio Moro. Também podem ter contado para a decisão de Dallagnol o agravamento do clima em torno da Vaza Jato, reforçado por novas revelações de Veja e da Folha no fim de semana. Da mesma forma, a declaração do presidente da Casa, Rodrigo Maia, de que as mensagens deveriam ser divulgadas e examinadas também pode ter contribuído para a desistência.

Com Moro pedindo férias e Dallagnol evitando chegar perto de Brasília, multiplicam-se em Brasília os rumores de que alguma coisa está para acontecer nesse caso…

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