A importância do ‘capital erótico’ na carreira

Samantha

 

“As mulheres me detestam por ser bonita”.

Um artigo com o título acima, de autoria de uma colunista do Daily  Mail chamada Samantha Brick, está provocando uma discussão intensa no circuito jornalístico feminino europeu.

Samantha,  41 anos, era semidesconhecida até dissertar sobre os problemas que, segundo diz, as mulheres têm com sua – dela, claro — “aparência adorável”.

O debate está na internet, na televisão, nos jornais, nas rádios – em todas as mídias, em suma.

Muitas leitoras concordaram.  Na rádio BBC 2, ouvi relatos de ouvintes que disseram enfrentar o mesmo drama de Samantha.

Mas as jornalistas, como era previsível, saíram dando pancada em Samantha. Insegura, míope, arrogante, estúpida: estes alguns dos adjetivos empregados contra ela. Samantha há cinco anos está casada, e “feliz”, com um homem que ela sabe que vai largá-la caso ela engorde.

O texto despertou curiosidade sobre outros que ela escreveu. A polêmica se acirrou ainda mais. Num deles, Samantha admitia que a beleza lhe facilitou subir na vida. Ela conta que não hesitava, no início da carreira, em vestir roupas que agradariam seu chefe. Em seu apoio, Samantha citou um livro chamado “Capital Erótico: O Poder da Atração no Escritório e na Cama”,  de Catherine Hakim, professora de sociologia da prestigioso London School of Economics, a LSE. A tese central do livro é que a beleza é quase tão importante na carreira quanto o talento.

Samantha pode ter errado na avaliação de sua beleza, mas na tese acertou. Pude, em minha carreira, ver quanto mulheres  detestam mulheres bonitas. O ódio é ainda maior se a bela for jovem.  Não por acaso, uma jornalista do romance que estou escrevendo na internet  – Novo Tempo – persegue como pode uma estagiária que enfeitiça os homens da redação.

Vi isso acontecer em várias ocasiões .

Lembro particularmente de uma história. Três vezes uma experiente e brilhante jornalista  foi pedir ao chefe de redação que demitisse uma repórter iniciante – linda, evidentemente. Na última tentativa, já cansado, o chefe disse para a veterana não levar mais aquele assunto a ele ou a demitida seria ela.

Uma carreira foi salva da investida de uma inveja assassina.

Com os homens é diferente, porque damos menos importância à nossa aparência. Ou, para usar a expressão da professora da LSE, somos menos sujeitos às oscilações do “Capital Erótico”.

Como diz Samantha com bom humor em seu texto, ela provavelmente só se livrará da raiva das outras mulheres quando o tempo destruir sua “aparência adorável”.