A impossível missão de governar um país a partir de corruptos e moleques. Por Carlos Fernandes

Quem tem filhos pequenos sabe o perigo que corre ao contar uma mentirinha inofensiva para um amigo qualquer.

Crianças, todos sabemos, não têm papas na língua e ao primeiro sinal de “equívoco” da mãe, do pai ou de quem quer que seja, lá estão elas a lhes corrigir trazendo à baila a verdade, nada mais do que a verdade.

Já presenciei episódios de puro constrangimento quando filhos de amigos meus delatavam solenemente os próprios pais ao desmentirem na cara dura as explicações que estes davam para justificarem uma ausência em um encontro previamente marcado ou coisa parecida.

É claro que passado o desconforto inicial, tudo se resolvia e o caso era imediatamente arquivado no grande e empoeirado depósito das casualidades de nenhuma importância.

Mas o que dizer quando cenas dessa natureza se dão no seio do poder executivo nacional envolvendo ninguém menos do que o presidente da República e um ministro de Estado?

Pois foi o que protagonizou o relações públicas extraoficial do governo, Carlos Bolsonaro, o pitbull de Jair.

Numa inacreditável demonstração de inabilidade política, chamou com todas as letras de mentiroso o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno.

Bebianno, que jogou no colo do presidente o escândalo das candidaturas laranjas do seu partido, tentou passar para a opinião pública que o clima no governo era de serenidade, confiança e união.

Querendo mostrar intimidade e mútua confiança com o presidente, chegou a declarar no meio dos rumores de que sua cabeça estava a prêmio, que não haveria absolutamente nada nesse sentido e que, por sinal, já havia falado com o chefe 3 vezes só nessa última terça (12).

Eis que nesse momento surge o pentelho. Armado até os dentes com o twitter na mão, Carlos Bolsonaro fez o que se espera de um pirralho mimado carente por atenção. Com o dedo nervoso, tuitou:

Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pela Globo e retransmitido pelo Antagonista”.

Como desgraça pouca é bobagem, logo em seguida ainda postou um áudio onde se ouve o pai se recusando a falar com seu ministro.

É pra estourar a bolsa de colostomia.

Passemos da analogia aos fatos. Está óbvio que o governo como um todo bate cabeça e ninguém se entende. Óbvio também está que membros do alto escalão já se sentem completamente incomodados com as intervenções descabidas dos filhos de Jair Bolsonaro nos assuntos de Estado.

Não menos claro é o fato de que os “garotos” atuam, a despeito de toda a irresponsabilidade e ignorância, a partir de um cálculo político confuso para isolar determinados personagens do seu núcleo duro.

Como resultado de tudo isso, a completa desarticulação de um governo já miserável em matéria de projetos e propostas.

Ninguém ignora que governar um país com os problemas, contradições e idiossincrasias do Brasil não é fácil para nenhum estadista. Para Bolsonaro que mais se assemelha a um bufão da idade média, a missão torna-se miseravelmente impraticável.

Quando soma-se à sua inoperância e obtusidade as artes malcriadas de uma tríade de marmanjos inconsequentes com idades mentais de pivetes da quarta séria, o que era impraticável passa a ser impossível.

Gustavo Bebianno, que já é vítima da safadeza de suas próprias corrupções, pode pedir pra sair do governo vítima também das malcriações dos moleques Bolsonaros.

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