A imprensa cúmplice do plano macabro de Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Publicado originalmente no blog do autor

Por Moisés Mendes

A ameaça de privatização dos serviços de saúde pública só virou manchete na grande imprensa hoje à tarde, depois da decisão de Bolsonaro de revogar o decreto sobre o assunto.

Os jornais e a TV Globo ignoraram a ameaça. As primeiras notícias de ontem circularam nos sites e blogs e só depois apareceram nos cantos dos jornais das corporações.

A mais impactante notícia dos últimos meses foi publicada pela imprensa sem nenhum destaque, como se devesse ser escondida.

A reação à privatização dos serviços fez com que Bolsonaro recuasse, como já recuou tantas vezes.

Tudo porque os considerados pequenos jornais online denunciaram o decreto que ameaçava o SUS, e o assunto foi parar nas redes sociais.

Mas agora a notícia do recuo de Bolsonaro, anulando o decreto 10.530/2020, merece manchete dos grandões. Agora à noite o Jornal Nacional finalmente deverá entrar no assunto. Sempre atrasado.

Mais uma vez, a grande imprensa anda a reboque dos veículos progressistas, que muitos ainda chamam de alternativos, como Brasil 247, DCM, Extra Classe, Jornalistas pela Democracia, Agência Publica, Brasil de Fato, Sul21, Intercept e tantos outros.

A grande imprensa havia se acovardado diante do decreto que abria a porteira para a privatização do SUS, porque é inimiga de Bolsonaro, mas amiga dos amigos de Paulo Guedes, que estão de olho nos serviços de saúde da rede pública.

Agora, com o recuo, a imprensa dos jornalões presta serviço de graça ao governo como porta-voz de Bolsonaro.

Alguns jornalistas estão desolados com a decisão de Bolsonaro. Mas ao final da nota no Twitter em que anuncia a revogação, o sujeito deixa mais uma ameaça.

Diz a nota, nessa frase torta: “Em havendo entendimento futuro dos benefícios propostos pelo Decreto o mesmo poderá ser reeditado”.

Em havendo, o bom mesmo é continuar atento, mas sem contar com a ajuda da grande imprensa.

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