A imprensa que aguenta a humilhação diária de Bolsonaro no Planalto gosta de apanhar. Por Kiko Nogueira

Banana para a imprensa

Os jornalistas e seus patrões são responsáveis pela humilhação que lhes é imposta pelo presidente da República nas coletivas do Planalto.

Para haver um sádico, é necessário um masoquista.

Os profissionais normalizaram o comportamento de um vagabundo que se compraz em humilhá-los. Nesta terça, um passo adiante foi dado rumo ao lixo.

Como ninguém diz “basta”, não será o último.

O humorista Carioca, fantasiado do palhaço que ocupa o cargo de presidente, distribuiu bananas aos repórteres.

Ele saiu de um carro junto com o chefe da Secom, Fabio Wajngarten, e tocou uma corneta.

“Foi o presidente Jair Bolsonaro que pediu para distribuir banana?”, questionou alguém.

“Não vem com esse papo não, foi ideia minha, isso aqui se chama humorista”, respondeu o sujeito.

Parte disso era para Jair Bolsonaro fugir de questões sobre o pibinho de 1,1% em 2019. O comediante vai usar as imagens em seu programa de domingo na Record, emissora amiga do regime.

Daniel Gullino, do Globo, conta que seus colegas viraram as costas para Bolsonaro quando ele surgiu com Carioca, como se isso fosse grande coisa.

Muito pouco, tarde demais. Amanhã tem mais.

Bolsonaro tem um relacionamento abusivo com o reportariado, que engole bovinamente suas ofensas, voltando para ser subjugado.

Por que topam essa parada? Que informação preciosa poderia lhes dar o energúmeno? Nenhuma.

É famosa a cena de 1984 dos fotógrafos de braços cruzados na rampa do Planalto diante do general João Figueiredo, em protesto a uma relação que se desgastava.

O único a empunhar sua máquina, José de Maria França, foi escolhido para fazer o registro e distribuir para os jornais.

Figueiredo, uma cavalgadura, nunca chegou aos pés do bunda-suja Bolsonaro. Estávamos nos estertores de uma ditadura, hoje estamos nos estertores de uma democracia.

Você não trata como gente quem te trata como cachorro. A não ser que você queira.

Aqueles que desafiaram o ditador Figueiredo eram homens.

Estes são meninos.

Fotógrafos protestam diante de Figueiredo em 1984

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