
Flávio Bolsonaro pegou carona no jato do empresário Fernando Marques, da União Química, para um passeio nos Estados Unidos com a esposa e o amigo advogado Willer Tomaz. Relembram agora que Marques tentou vender vacinas superfaturadas ao governo Bolsonaro na pandemia.
O caso de Flávio é único, em meio a empréstimos de aviões para meio mundo de Brasília, porque a notícia sobre o dono do jato ressuscita o vampirismo da pandemia. Todos os que se envolveram em algum crime, principalmente em 2021, estão impunes.
Os únicos indiciados foram 10 donos e diretores da Prevent, a clínica que fazia experimentos com o kit cloroquina de Bolsonaro. A denúncia foi apresentada em junho de 2024 e ninguém sabe em que gaveta o caso dorme no Judiciário de São Paulo.
É o único efeito, mesmo que em banho maria, e na área estadual, do inquérito apresentado pela CPI da Pandemia ao MP em outubro de 2021. O documento tinha 79 nomes, desde Bolsonaro, coronéis do Exército e todo tipo de vampiro empenha em desacreditar as vacinas e, ao mesmo tempo, em comprar vacinas superfaturadas.
Flávio Bolsonaro, que pegou carona no jatinho de Fernando Marques, é citado no inquérito junto com o pai e os irmãos Eduardo e Carluxo. Entre os outros estão Eduardo Pazuello, Marcelo Quiroga, Onyx Lorenzoni, Braga Netto, Elcio Franco, Carla Zambelli, Luciano Hang, Carlos Wizard.
Todos impunes. Cada um deles e seus parceiros de movimentação intensa em torno de negócios de milhões ocupavam, principalmente dentro das estruturas do Ministério da Saúde, redutos específicos e muitas vezes compartilhados. Muitos integravam o gabinete paralelo de Pazuello.
O Congresso, a PF, o MP e o Supremo sabem em detalhes o que eles fizeram. Os crimes vão do simples charlatanismo ao incentivo à epidemia, desvio de verbas públicas e prevaricação, praticados pelos que tentaram impedir medidas de socorro, os que propagaram falsas soluções e os que trabalharam pelo contágio de manada, que iria salvar o Brasil. Enquanto muitos negociavam vacinas, considerado o filão para velhos e novos vampiros.
Em setembro passado, o ministro Flávio Dino fez o que ninguém mais faria, considerando-se o tamanho das gavetas e a inércia do MP. Determinou que a Polícia Federal abrisse um inquérito para que finalmente seja alcançada uma primeira leva de 24 acusados de alguns dos crimes mais graves.
Estão na lista Bolsonaro, os três filhos citados, Osmar terra, Bia Kicis, Carla Zambelli, Onyx, Filipe Martins e o inalcançável véio da Havan. Todos livres, soltos e impunes.
Os MPs federal e dos Estados parecem ter sido imobilizados, desde 2021, sob inspiração da Procuradoria-Geral da República de Augusto Aras, que rejeitara todos os pedidos de indiciamento durante o governo de Bolsonaro. Acusados com ou sem foro escaparam, com exceção dos cientistas da Prevent.
Flávio anda no jato de um dos que tentaram ganhar dinheiro com a pandemia porque ele, que é um dos investigados, deve ter certeza de que não vai dar nada de novo.
O filho ungido pelo pai a candidato a presidente está no inquérito por ter participado dos grupos que incentivavam desobediência às medidas sanitárias que evitariam a propagação da Covid.
Mas estão disponíveis informações, no Google e em todos os robôs da Inteligência Artificial, sobre relações com vendedores de vacinas. Quase todas levantadas na época da CPI, em 2021.
A determinação de Dino para a abertura de inquérito completará sete meses no dia 18 de abril. Nesse tempo, tudo vaza para a imprensa em todos os dutos de vazamentos seletivos de qualquer investigação.
Nada vaza sobre os vampiros da pandemia, ou se vaza, os jornalões não querem saber dessa pauta. O silêncio continua blindando a vampiragem. Os jornalões só querem saber de quem voa no avião de quem.
Supremo, Polícia Federal e Ministério Público sabem que não poderá acontecer de novo, com esse caso, o que se anuncia que acontecerá com o inquérito das fake news, ameaçado de encerramento sem crimes e sem criminosos. Mas quem mexerá com o filho ungido antes da eleição? E depois haverá como mexer?