A inação diante da violência bolsonarista indica como é grave a questão das polícias no Brasil. Por Luis Felipe Miguel

Atualizado em 15 de dezembro de 2022 às 6:51
Ataques bolsonaristas em Brasília. Foto: Reprodução

Por Luis Felipe Miguel

Muita gente já traçou o contraste entre a reação passiva na segunda-feira, apesar da depredação do patrimônio e das ameaças à segurança das pessoas, e a truculência com que são tratadas manifestações populares.

Até a Polícia Civil do Distrito Federal se espantou com a ausência de repressão. Um delegado ouvido pelo jornal Folha de S. Paulo relata que a Polícia Civil “reforçou suas equipes, como [sic] o aumento de agentes nas delegacias; e os escrivães dobraram o horário de expediente para dar conta da demanda que seria gerada pelas prisões realizadas pela PM – que não ocorreram”.

Foi bom ver Flávio Dino dizendo que a partir de 1º de janeiro os responsáveis serão punidos.

Mas é preciso enquadrar também as polícias coniventes com o terrorismo bolsonarista (que não ocorre só em Brasília, é bom lembrar) e punir seus comandantes.

E garantir um mínimo de tranquilidade nas duas semanas e meia de pesadelo que ainda temos de enfrentar. Aí cabe uma ação mais incisiva do Poder Judiciário contra os mentores intelectuais e financiadores dos arruaceiros acéfalos que perturbam as cidades e as estradas do Brasil.

Depois de um silêncio constrangido, os chefes do bolsonarismo adotaram nas redes um discurso duplo sobre os atentados da noite de segunda-feira.

Ora são obra de “esquerdistas” infiltrados entre os “cidadãos de bem”, ora são a expressão de uma justa indignação.

Absolutamente contraditório? Nada com que a mente do gado já não esteja acostumada.

E Jair, como sempre, oscilando entre silêncio e declarações ambíguas – agora menos ambíguas. O discurso no cercadinho do Planalto e a soirée no Alvorada já são suficientes para enquadrá-lo como sedicioso.

Uma ação mais firme agora daria mais tranquilidade até a posse e para o início do governo democrático.

Originalmente publicado no FACEBOOK do autor

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