A incrível série “Stranger Things” é uma máquina do tempo para os anos 80. Por Kiko Nogueira

 

Quem precisa de máquina do tempo se a arte é capaz de fazer você dar espetaculares rewinds na sua vida?

A série “Stranger Things”, da Netflix, é um pot pourri do melhor cinema dos anos 80. Os irmãos Matt e Ross Duffer pegaram hits de Spielberg, John Carpenter e George Lucas e, sobre esse template, criaram uma história de aventura e terror soft perfeita para — perdoe o clichê; mea culpa, mea maxima culpa — divertir crianças, jovens e adultos.

As referências são absolutamente descaradas. Não há sutileza nenhuma.

São oito episódios. Como em ET, começa com um grupo de moleques jogando RPG. Um deles, Will Buyers, desaparece. A mãe de Will, que o cria sozinho como a heroína de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, é interpretada por Winona Ryder, ícone daquela época.

A família de Will e seus amigos saem em sua procura. Um monstro os ameaça, saído de uma dimensão paralela. Cartazes de longas como Tubarão e o clássico de terror O Enigma de Outro Mundo aparecem o tempo todo, uma espécie de guia das homenagens feitas pelos realizadores.

Tudo se passa numa cidadezinha. Os vilões são agentes do governo liderados por um burocrata sinistro (Matthew Modine, o protagonista do bonito “Birdy”, de Alan Parker, co-estrelado por Nicholas Cage antes de pirar). Os meninos recebem o auxílio da Eleven, garota possuidora de poderes paranormais, que vira cobaia de experimentos científicos.

Apesar do cheiro de naftalina, os Duffers inovaram no approach politicamente correto com relação ao elenco. Nenhum dos atores — NENHUM — obedece ao padrão hollywoodiano de beleza.

São todos absolutamente normais, eventualmente esquisitos. Não há um Brad Pitt ou uma Scarlett Johansson. Eleven é andrógina. Matt é narigudo. Winona não tenta parecer mais jovem do que seus 40 e lá vai pedrada.

O tira é gordo. Um dos rapazinhos tem disostose cleidocraniana, distúrbio genético que causa alterações no desenvolvimento nas clavículas, nos ossos da face e nos dentes.

É claro que isso tudo poderia resultar num abacaxi fenomenal, num museu de cera para homens de meia idade que têm saudade de homens que usavam mullet.

Não é o que acontece e o sucesso é prova disso. Uma segunda temporada já foi encomendada. Veja com seu filho. Eu vi com o meu de 12 anos. Como dizia aquele pessoal que você nunca mais encontrou, graças a Deus: é o maior barato.

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