A insolência de Delta diante do presidente do STF demonstra o poder que a Lava Jato ainda julga ter. Por Kakay

O procurador Deltan Dallagnol — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Kakay

O Delta estava meio sumido, acuado. Desculpe chamar assim, mas “Delta” é como o Subprocurador Aras o chamou para alertar que o que ele fazia era ilegal, era crime, mas ele desprezou, pois afinal era o subchefe da poderosa Lava Jato. Convenhamos que, depois que o chefe da Lava Jato, o candidato Sergio Moro, saiu, o Delta ficou meio perdido. Também são muitos os escândalos, os questionamentos e as investigações que os membros da operação estão sofrendo.

E, até mesmo, isto é o mais grave, imagino, os valorosos companheiros da imprensa, que tanto fizeram, agora chegam – que absurdo – a fazer questionamentos. É, Deltan, você deveria ler Augusto dos Anjos:

“Acostuma-te à lama que te espera!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Mas nada como a certeza de que o CNMP é um órgão pronto a acolher e proteger os procuradores. Pouco importa a quantidade de queixas apresentadas. Em 2 de março, a imprensa falava em 17 queixas contra o Delta. Mas devemos nos lembrar do grito de júbilo do Delta, com os seus: “Aha Uhu o Fachin é nosso”!

Se no caso do Ministro Fachin podia ser só bazófia de um irresponsável, no caso do CNMP é uma realidade: “AHA UHU O CNMP É MEU”!!!

A maneira atrevida e até insolente com que o subchefe da força tarefa, o Delta, trata o Presidente do Supremo, ao questionar hoje uma decisão do Ministro Toffoli, demonstra o poder que esse grupo ainda julga ter. Nada como confrontar esse grupo com os abusos que eles patrocinaram. Foram nestes abusos que eles forjaram essa prepotência argumentativa.

O projeto de poder desse grupo passa por afrontar o Supremo, o Legislativo. O Executivo não, pois o atual Executivo é cria dos abusos deste grupo. Este Executivo autoritário foi gestado nos abusos da operação lava jato.São irmãos siameses. Estão momentaneamente em crise, criador e criatura, mas é só uma briga de poder.

Volto a poesia, Pessoa na pessoa de Pessoa: “Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo”.

Vamos colocar esse grupo em seu devido lugar, em nome de um estado de direito que se pretende democrático. Com a palavra o CNMP.

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