A insólita dobradinha Lula-Tarcísio escolhida por 15% dos eleitores paulistas

Atualizado em 19 de agosto de 2026 às 23:46
Tarcísio Lula
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Cerca de 15% dos eleitores de São Paulo combinam dois votos que atravessam a polarização: Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo estadual e Lula (PT) para a Presidência. O grupo pode influenciar tanto a campanha paulista quanto a participação do governador na disputa nacional.

O percentual foi apresentado pelo diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, durante entrevista ao Veja em Foco. Segundo ele, o chamado voto Tarcísio-Lula representa aproximadamente 15% do eleitorado paulista.

Na avaliação de Hidalgo, Tarcísio poderá perder parte desse grupo caso se envolva intensamente na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O governador apoia o senador na corrida ao Planalto, mas uma associação mais forte com o bolsonarismo pode afastar eleitores que pretendem votar em Lula.

Tarcísio Haddad
Os candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Renato Pizzutto/Band

O diretor afirmou que o presidente enfrenta um dilema semelhante: uma presença mais intensa na campanha de Fernando Haddad (PT) poderia incomodar eleitores que apoiam Lula nacionalmente, mas querem reeleger Tarcísio.

Na rodada que deu origem à análise, Tarcísio aparece com 50% das intenções de voto, contra 33,8% de Haddad. Em uma eventual segunda rodada, o governador registra 53% e o petista, 36,9%. A vantagem mantém a tendência observada no fim de julho, quando a Quaest também apontou Tarcísio à frente.

O Paraná Pesquisas entrevistou presencialmente 1.680 eleitores de 80 municípios entre 16 e 18 de agosto. A margem de erro do resultado geral é de 2,4 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Financiado pelo próprio instituto, o levantamento foi registrado no TSE sob o número SP-08913/2026.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!