A ‘coesão social’ como medida de desenvolvimento dos países

Dinamarca, Noruega, Finlândia e Suécia são os países mais ‘coesos’ do mundo, segundo estudo lançado esta semana.

Um preso aproveita o sol na prisão de Bastoy, na Noruega
Um preso aproveita o sol na prisão de Bastoy, na Noruega

Acaba de sair um estudo interessante da Fundação Bertelsmann, da Alemanha, dedicada às questões sociais.

O foco do levantamento foi identificar os países ‘mais coesos’ dentro de um grupo de 34 que, lamentavelmente, não incluía o Brasil.

‘Coesão social’, um conceito relativamente novo, designa sociedades avançadas.

Para aferir a coesão dos países, uma série de variáveis é analisada. Por exemplo: a tolerância à diversidade, o sentimento de justiça, a confiança nas pessoas e nas instituições, a participação cívica, o respeito às regras e o senso de solidariedade.

O Brasil, é claro, está longe de ser socialmente coeso. Basta ver a minoria dos índios, ou a ação destruidora das máquinas nas casas de pobres no caminho das obras da Copa de 2014.

Basta ver as crianças faveladas, ou contar o número de cidades remotas que não contam com médicos.

Por isso mesmo, o levantamento da Bertelsmann deveria ser estudado pelos homens públicos, e reproduzido pela mídia.

Mas paira um silêncio sepulcral sobre o tema. Quem ler algo no Globo ou na Folha, por favor avise.

Quem lê o Diário pode imaginar quais os países que estão na ponta da lista. Eles mesmos, os escandinavos.

Dinamarca, Noruega, Finlândia e Suécia estão na primeira, segunda, terceira e quarta colocações.

Os alemães só foram aparecer na medíocre 14.a posição. E isso fez a mídia alemã perguntar, incomodada, por que a Escandinávia está tão à frente.

Sabemos por quê.

Porque lá vigora a eterna lei de Rousseau segundo a qual não deve ser tolerada “nem a opulência e nem a mendicância”. Isso gera nas pessoas um sentimento de que vivem numa sociedade justa.

Lá, não é socialmente aceito que um caso monstruoso de sonegação como o da Globo fique em branco, protegido por sigilo fiscal mesmo depois que foi flagrada e comprovada uma tentativa de transformar compra de direitos de transmissão em investimento no exterior.

Lá você não é melhor ou pior que ninguém por causa da conta bancária, um lixeiro é tão respeitado quanto um doutor.

Lá as crianças têm a mesma educação, aliás primorosa e gratuita, seja você filho de um industrial ou do porteiro da escola.

Lá as leis trabalhistas são tão avançadas que os pais têm alguns meses de licença quando sua mulher dá à luz.

Lá mulheres que trabalham à noite, como enfermeiras, podem deixar seus filhos em creches mantidas pelo Estado.

A Escandinávia construiu o que construiu com esforço, paciência e, sobretudo, visão.

Quanta coisa lá não é inspiradora para o Brasil, das bicicletas de Copenhague aos presídios da Noruega? (Um deles, em Oslo,visitei no ano passado, e me senti como se estivesse num hotel fazenda. Chalés, cavalos, um campo de futebol esplêndido onde aos domingos os presos jogam futebol antes de um churrasco com amigos e familiares que os visitam. Vou em breve escrever um relato.)

Gostei de saber que, na questão da importação de médicos, o Brasil se inspirou na Noruega, que faz isso regularmente para cuidar da saúde seus cidadãos.

Estaríamos aprendendo a olhar para onde estão realmente as melhores práticas, para encurtar o caminho rumo a uma ‘sociedade coesa’?

Tomara.

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