A inversão das notícias sobre o Sistema Cantareira para favorecer Alckmin

cantareira

 

A chuva acima da média no Sistema Cantareira foi a gota d’água para a mídia gerar uma enxurrada de boas notícias para o Governo Alckmin.

Os termos “descarte do rodízio”, “soma das águas” e “recuperação do Cantareira” foram usado ad nauseum. Vale tudo para coroar o sucesso do Governador Geraldo Alckmin na luta contra a “maior estiagem de todos os tempos”.

Balela.

Passados os dias de pânico com a possível seca geral e sucessivos recordes de vendas de caixas d’água, eis que se anuncia que o Cantareira está com 9,5% de sua capacidade.

Piada de mau gosto.

Na verdade, o Sistema Cantareira está com 90,5 negativos. Não se trata da afirmação do copo meio cheio, meio vazio. Fato é que ainda estamos no segundo volume morto, com apenas 9,5%.

Desde o início de 2014, o Diário do Centro do Mundo vem anunciando a gravidade da gestão da água pela Sabesp.

Em fevereiro do ano passado, o DCM já alertava para os riscos de desabastecimento quando reservatório Cantareira já registrava 22% de sua capacidade.

O DCM também apontou o desprezo da Sabesp para com manutenção do sistema de distribuição e o desleixo na conservação ambiental do Sistema.

Na ocasião, o descumprimento de vários preceitos da outorga de 2004 já colocava a Sabesp no banco dos réus. Aproveitando-se da estiagem, livrou-se renovação da outorga adiada diante o caos que já se anunciava.

Aqui também anunciamos os riscos à saúde ao disponibilizar água de reuso do Rio Pinheiros para consumo ou ainda o bombeamento das mesmas poluídas águas para a combalida Billings.

Na versão oficial do Palácio dos Bandeirantes, o paulistano está próximo de se livrar do rodízio.

Na vida real, enquanto estimulam os grandes consumidores com tarifas irrisórias, Alckmin penaliza o trabalhador com seca nas torneiras e multa. É a lógica do mercado: ao anunciar aumento da tarifa e multa por consumo acima da média, o resultado foi valorização das ações da Sabesp na Bolsa de Valores de Nova York.

Inverter a análise sobre a drástica crise de abastecimento de água anunciando melhoria do cenário hídrico é tão irresponsável quanto o mantra de 2014 de que não haveria racionamento.

Não há o que comemorar. De novo Alckmin aposta na chuva e no blá blá blá.

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